Um dos trabalhos mais difíceis em se atuar são os crimes de violência doméstica. Essa é a percepção do delegado Richard Damasceno Ferreira Lage. Ele, que é plantonista na 2ª Delegacia de Polícia do Carumbé, diz que na unidade de 25 a 40% dos casos recebidos são referentes à violência doméstica. O delegado ressalta ainda que a uma subnotificação expressiva de mulheres que nem chegam a denunciar e por isso o número de casos de violência é muito maior que os dados contabilizados. É um dos casos mais difíceis de mexer, envolve família e diversas outras coisas. Além disso, muitos casos são reincidentes até com o mesmo casal, o boletim de ocorrência em alguns casos não é suficiente para a separação e o fim da violência, disse. Damasceno chegou a fazer um estudo sobre o perfil da vítima de violência e do agressor para o curso de Especialização em Gestão de Segurança Pública, no Núcleo Interinstitucional de Estudos da Violência e Cidadania do Instituto de Ciências humanas e Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O estudo partiu de um questionário com 50 mulheres vítimas de violência que foi aplicado pelo delegado e outros colegas no período de dois meses. A ideia, segundo o delegado, era saber da relação do uso de álcool e drogas com a violência doméstica. Na ocasião, foi constatado que no período de 56 dias 50 vítimas registraram ocorrência da Lei Maria da Penha. Entre as vítimas pesquisadas, 66% trabalham e 34% não; 46% recebem até um salário e 30% de um a dois salários; 12% não têm rendimento e 4% ganham entre dois e três salários. A pesquisa mostrou ainda que 32% das vítimas têm o ensino médio incompleto; 20% o ensino fundamental incompleto; 18% o ensino médio completo; 16% o ensino superior incompleto; 4% são analfabetas; e 2% têm o ensino superior completo. Em relação aos agressores, 56% são maridos e companheiros e 36% são ex-maridos e ex-companheiros. A pesquisa mostrou ainda que 66% trabalham e 30% não. E que 30% recebem entre um e dois salários mínimos; 22% não tem nenhuma remuneração; 12% ganham até um salário mínimo; somente 2% recebem acima de cinco salários. Entre os que agridem 32% têm ensino fundamental incompleto; 26%, o ensino médio incompleto; 20%, o ensino médio completo; 10% são analfabetos; 6% têm o ensino fundamental completo; e 2% tem ensino superior incompleto e igual índice completou o ensino superior. Resultado - A pesquisa mostrou ainda que a principal causa da agressão é o ciúme doentio de 78% dos homens. O estudo constatou que 78% dos agressores são usuários de álcool e 44% de drogas. No momento da violência 60% dos homens estavam sob efeito de álcool ou drogas, e 38% não. (AA)