CIDADES
Terça-feira, 09 de Novembro de 2010, 20h:01
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CRIANÇA EM RISCO
MT é 3º em acidente e afogamento infantil
Dado é da ONG Criança Segura que apontou as causas de mortes de crianças nos estados. Em 2007, 2 motivos foram responsáveis por 75% de óbitos
DHIEGO MAIA
Da Reportagem
Acidentes de trânsito e afogamentos elevaram Mato Grosso à terceira colocação na taxa de mortalidade infantil por causas acidentais na faixa etária entre zero a 14 anos de idade. As duas causas foram responsáveis por mais de 75% dos 134 óbitos de crianças no Estado em 2007. Com isso, a taxa de mortalidade estadual (16,3 mortes por cem mil habitantes da faixa etária pesquisada) superou em quase seis casos à nacional (10,6). Só ficaram acima de Mato Grosso os estados de Tocantins (21,9) e Roraima (20,2). Em todo país, 5.324 crianças morreram vítimas de acidentes de trânsito, afogamentos, queimaduras, quedas, intoxicações, acidentes com armas de fogo, entre outros. Os dados compõem um estudo realizado pela ONG Criança Segura e são referentes ao ano de 2007 porque a pesquisa utilizou o banco de dados do Ministério da Saúde que está atualizado até o referido ano. Na região Centro-Oeste, Mato Grosso só ficava atrás do estado de Goiás em número de casos (210) e superava Mato Grosso do Sul (95) e o Distrito Federal (88). Com 11 anos de idade, Wanderson Mateus Ferreira Lima é mais uma criança que quase entrou para a triste estatística. Semana passada, ele foi atropelado por uma moto quando tentava atravessando a Rodovia Emanuel Pinheiro nas proximidades do bairro Jardim Florianópolis, em Cuiabá. Após o acidente, a criança ficou desacordada na pista e só recobrou a consciência após ter sido submetida a uma cirurgia de reparação dos rins. Internado por quatro dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ele ainda teve um braço e uma perna quebrados. Estou com trauma de lá, fala compassadamente a vítima. Ele disse que não quer mais passar pelo local, mas, se for necessário, vai olhar com mais atenção antes de atravessar a rodovia. O avô da criança, Jurandir Paulino Silva, disse que tirar as crianças da rua nos dias de hoje é tarefa nada fácil. Ele chega da escola, sempre pede para brincar e vai pra rua. Está muito perigoso brincar na rua hoje, reflete. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, apenas no Pronto-Socorro de Cuiabá, de janeiro a setembro deste ano, 3.400 pessoas foram atendidas na unidade vítimas de acidentes com moto, o equivalente a 12 acidentes por dia. A Pasta não sabe precisar quantos pacientes eram crianças. Para o presidente da Sociedade Mato-grossense de Pediatria, Euze Carvalho, todas as mortes poderiam ter sido evitadas, já que são situações previsíveis. O problema, segundo ele, é que a educação no trânsito anda capenga. A educação no trânsito está em um processo mais lento. Com a liberdade dada às crianças, que passam a ir para a escola sozinhas cada vez mais cedo, a educação seria, portanto, uma prevenção para esses acidentes, reflete Carvalho. Em relação aos afogamentos, Carvalho aponta que os casos são inerentes ao Estado, pela grande quantidade de rios e córregos. Eles também são previníveis. É necessário sinalizar os pontos de maior perigo nos rios com presença ativa de pessoal treinado, revela. Dentro de casa, segundo Carvalho, cuidados simples, como elevar produtos perigosos do alcance das crianças, podem diminuir os casos de morte.