CIDADES
Terça-feira, 03 de Março de 2009, 20h:47
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UMUTINA
MPF quer liberação de pesca em reserva
Atividade seria fonte de subsistência de índios; prática ilegal foi alvo de operação da PF, com 7 prisões, que despertou a revolta na etnia
RENÊ DIÓZ
Especial para o Diário
O Ministério Público Federal pretende ingressar com pedido judicial para regularizar a prática de pesca feita por índios na reserva Umutina, região de Barra do Bugres (165 quilômetros de Cuiabá). Essa seria a única fonte de renda do grupo indígena. O posicionamento do procurador Mário Lúcio Avelar, que se reuniu ontem com representantes da etnia, alvo da mais recente operação da Polícia Federal (PF) no Estado, em conjunto com a Força Nacional de Segurança. Deflagrada na semana passada, a Operação Uauiara resultou na prisão de sete pessoas. Nove índios ficaram feridos durante a ação policial. É irreversível esta situação de estarmos sempre combatendo os crimes ambientais. No entanto, o que temos de garantir agora é a profissionalização desses pescadores, declara Avelar, a respeito de ações como a da PF, com o objetivo de combater a pesca ilegal praticada durante o período da Piracema, época em que a prática é proibida para permitir que os peixes se reproduzam. Para colocar o pleito dos índios em prática, Avelar anuncia que está programada outra reunião para debater o assunto, na semana que vem. Devem estar presentes representantes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e da Secretaria Nacional da Pesca. Após a reunião desta terça-feira, parte dos índios seguiram para Brasília, onde esperam conseguir uma audiência com o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O restante deles voltou para Barra do Bugres, após um dia de ocupação da sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Cuiabá. A invasão do órgão aconteceu anteontem, motivada pela revolta dos índios contra as ações da PF durante a Operação Uauiara, quando policiais federais invadiram a aldeia para cumprir com mandados de prisão e apreensão. O encontro com o MPF serviu para que os umutinas relatassem o episódio e apresentassem suas reivindicações, fruto da situação de violência entre a tribo e os agentes. O grupo indígena também reclama de falta de ação por parte da Funai no caso. Eles têm que levantar melhor essa nossa bandeira, defende a líder dos Umutina, Creuza Soripa Umutina. Ela conta que a ação supostamente violenta dos agentes federais não é de hoje. A PF tem o direito de agir, cumprir com sua operação, mas não com essa violência, protesta. Ela lembra que, durante a ação policial, nove índios ficaram feridos pelos projéteis de borracha e bombas de efeito moral. UAUIARA Sete pessoas foram presas na Terra Indígena Umutina durante a Operação Uauiara, da PF, na última sexta-feira. Apesar de terem sido presos na região da reserva indígena, nenhum deles é índio. São todos conhecidos como atravessadores, intermediários do comércio ilegal, que compravam o pescado dos índios e revendiam a estabelecimentos comerciais. O comércio ilegal ocorre há mais de 14 anos na região e os índios não negam o esquema.