Com base no relatório da Auditoria Geral do Estado (AGE), o Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar as irregularidades na Farmácia de Alto Custo, que era administrada pela Organização Social de Saúde (OSS) Ipas (Instituto Pernambucano de Assistência à Saúde). O procedimento preparatório foi convertido pela procuradora da República Bianca Britto de Araújo. Divulgado no ano passado, o relatório apontou um prejuízo estimado em R$ 4 milhões devido à perda de medicamentos, que estavam com o prazo de validade vencido. De acordo com a procuradora o inquérito vai investigar a compra e distribuição de medicamentos que são entregues pelo Ministério da Saúde à Secretaria de Saúde de Mato Grosso. O relatório levou em consideração o período de novembro de 2012 a abril de 2013. O prejuízo, segundo o documento, foi de R$ 1,5 milhão em seis meses e de R$ 2,8 milhões durante a gestão comandada pelo Ipas. Mais de 70% do material descartado na época se tratava de medicamento que deveria ser distribuído à população. O episódio acabou revelando as falhas na gestão de medicamentos por parte do Ipas e da Coordenadoria de Assistência Farmacêutica (CAF). Segundo a AGE, a aquisição e o recebimento de quantidades superiores ao necessário para a demanda acabou contribuindo para o desperdício. Além disso, boa parte do vencimento se deve ao fato de que eles já chegavam faltando poucos dias para o vencimento. Grande parte dos medicamentos eram recebidos com vida útil inferior a 75%. Os medicamentos de alto custo deveriam ser destinados para o tratamento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com câncer, problemas neurológicos e outras doenças consideradas graves e de risco. Devido à má gestão, o Governo do Estado interveio na administração e em janeiro deste ano acabou rompendo o contrato com o Ipas.