O promotor da Infância e Juventude da Comarca de Cuiabá, José Antônio Borges, descreveu ontem a situação do sistema socioeducativo no Estado como um verdadeiro caos, onde faltam vagas e estrutura adequada para as internações. Uma das saídas do governo era a inauguração do Centro Socioeducativo de Várzea Grande, que teve sua obra paralisada em 2011 e até hoje não foi retomada. Após a reportagem do Diário abordar o abandono do prédio, o promotor afirmou que existem duas preocupações com relação ao caso: o abandono, o que causou sua depredação, e a demora para retomá-la, que resulta diretamente na falta de vagas para a internação dos adolescentes. Segundo o Borges, o caso de vandalismo registrado na obra, decorrente ao abandono, reflete na falta de cuidados do poder público. O local teve sua estrutura destruída parcialmente semanas após a saída dos operários. A ausência de uma nova unidade socioeducativa está refletindo no número de internações, afirma o promotor, ao lembrar que o Complexo do Pomeri, em Cuiabá, não está aceitando internações de adolescentes de outros municípios devido à superlotação desde 2011, quando a juíza Gleide Bispo Santos determinou a interdição parcial do prédio. Na oportunidade, a decisão levou em conta a superlotação, as más condições de higiene e a precariedade na estrutura física do Pomeri. Borges lembra que devido à falta de vagas para a internação dos jovens infratores, eles acabam ficando impunes e continuam nas ruas.