CIDADES
Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010, 20h:43
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PRONTO-SOCORRO
MP investiga morte de 5 bebês em UTI
Ministério Público Estadual abriu ontem dois procedimentos investigatórios para tentar descobrir as causas das mortes em sequência
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Após a morte de cinco recém-nascidos nos últimos 15 dias, a unidade de tratamento intensivo (UTI) neonatal do Pronto-socorro de Cuiabá (PSMC) foi fechada para desinfecção terminal e controle de uma bactéria multirresistente. Ontem o Ministério Público anunciou a abertura de dois procedimentos investigatórios para apurar a responsabilidade sobre os óbitos. Em duas vítimas, o resultado da hemocultura confirmou a presença de Staphylococcus epidermidis, espécie de germe frequentemente encontrado na pele humana, mas bastante invasivo quando aparece em pessoas com sistema de defesa baixo. Os demais casos estão em investigação, sendo que dois deles estavam com as bactérias colonizadas na pele, o que pode ou não ter causado a morte das crianças. Nestes dois casos, os recém-nascidos estavam internados com doenças de base graves como cardiopatias ou hepáticas. O exame de hemocultura confirmará ou não a presença do germe no sangue e pode sair em 48 horas. Os bebês tinham de zero a oito meses de vida. As mortes vêm sendo acompanhado Conselho Tutelar do Planalto. Conforme o conselheiro Devair Rodrigues Ribeiro, uma das vítimas foi Emanuel Carlos da Cunha, de dois meses. A família do garoto, que morreu às 1h30 do dia 25 deste mês, reside em Colíder, a 650 quilômetros da Capital. O outro era um recém-nascido, filho de Pâmela Lara Rodrigues, moradora do município de Aragarças, no estado vizinho de Goiás (GO). Ele morreu às 2h05 de segunda-feira (27). De acordo com o secretário adjunto de Saúde, Euze Carvalho, em bebês o sintoma mais comum da infecção bacteriana é a hipotermia ou queda da temperatura corporal. Em entrevista coletiva, o secretário municipal de Saúde (SMS), Maurélio Ribeiro, disse que depois do registro do primeiro óbito as internações na unidade, que conta com 10 leitos, foram suspensas. Além dos cinco recém-nascidos, havia outros dois bebês na UTI, que tiveram alta. A suspensão foi mais uma medida de precaução do que uma necessidade, disse. Coordenador da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do PSMC, o infectologista Luciano Correa Ribeiro, descartou qualquer possibilidade de surto na unidade. O principal germe, o Staphylo epidermidis, é uma bactéria frequentemente isolada em pacientes críticos, em especial internados em UTIs, onde havia recém-nascidos prematuros, de baixo peso e com patologias graves, comentou. A presença do germe na pele não dá para dizer que a bactéria é geradora da infecção, acrescentou. Conforme Luciano Ribeiro, os recém-nascidos tinham sido transferidos de outras unidades hospitalares e já vinham fazendo uso de antibióticos. Ele explica que os germes multirresistentes a antimicrobianos geralmente costuma ser sensíveis apenas ao vancomicina, medicamento de última geração. Não temos falta de medicamentos. Temos mais de R$ 12 milhões em remédios estocados, afirmou Maurélio Ribeiro. Com a desinfecção terminal, a UTI neonatal deve voltar a receber crianças entre 48 ou 72 horas. Até lá, os pacientes que passam pela Central de Regulação são encaminhados para unidades conveniadas.