CIDADES
Sábado, 29 de Junho de 2013, 13h:12
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DIA DO CAMINHONEIRO
Motoristas temem a violência nas estradas
Eles têm paixão por viver na boleia do caminhão, mas reclamam do aumento dos assaltos e da falta de infraestrutura das rodovias brasileiras
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Há 40 anos, o dia-a-dia de Jarbas Souza Cordeiro, 59 anos, tem sido na cabine de um caminhão. Pelas rodovias brasileiras, ele enfrenta a pressão de ter que fazer as viagens dentro do prazo e ainda correr os riscos do trânsito. Porém, é o que sabe e gosta de fazer. "Nunca pensei em fazer outra coisa na minha vida e apesar dos perigos continuo na boleia por causa da paixão pelas estradas", afirma. Neste domingo, 30 de junho, é comemorado o Dia dos Caminhoneiros, data que se confronta com o tradicional 25 de julho, dia do santo católico São Cristóvão, considerado padroeiro dos motoristas. Independente de data e do amor que sente pela profissão, Jarbas Souza diz que não tem o que comemorar. O principal motivo é dificuldade em se manter na profissão. "Os custos hoje da profissão são bem elevados. Está cada vez mais difÃcil da gente se manter na estrada e a famÃlia", conta o caminhoneiro que tem três filhos, o mais novo com 12 anos. Ele que veio do Rio de Janeiro para Cuiabá transportando bebidas, reclama que o valor pago hoje pelo frete não tem compensado as viagens. "Já fiquei três meses fora (de casa), só rodando e quando retornei não tinha um centavo", contou. "A gente tem que persistir porque uma hora as coisas dão certo". Acompanhado da esposa, Edna de Lima Dias, 43 anos, ele também reconhece que sua grande preocupação, além das longas horas ao volante, é a imprudência de alguns condutores, que são as principais causas de muitas mortes nas rodovias. "Têm muitos colegas irresponsáveis, que não descansam, bebem e usam drogas", conta. "Falta segurança nas estradas e a situação é ruim em boa parte da malha viária, que carece demais atenção das autoridades públicas. à um grande desafio", acrescenta. Já Edna Dias conta que acompanha o marido nas viagens há três anos. "Eu gosto muito. Para mim é uma aventura", comenta. Entretanto, ela também reconhece que a vida nas estradas não é fácil. "Meu marido se preocupa mais por causa do risco de acidentes e por temer em deixar os filhos sozinhos até porque somos o esteio da famÃlia", comentou. Dos filhos, o casal diz que sente saudade, mas que estão sempre se falando por telefone. Para Edna Dias, uma das maiores dificuldades é mesmo manter o consumo nas estradas, que é muito caro e nem sempre a comida é boa. "Esses dias paramos em um restaurante em Minas Gerais, onde pagamos R$ 20,00 pelo self-service e nem o cachorro queria comer", contou. Outras situações como tomar banho, ela diz que não há problema. "A gente já acostumou. Para num posto e está tudo resolvido", afirmou. Outro profissional do volante, Edinardo Shineider, 36 anos, também se diz preocupado com a jornada excessiva de trabalho e a pressão, que deixam o motorista muito mais vulnerável, inclusive, coloca em risco a vida de terceiros. "Hoje nós temos caminhoneiros imprudentes, mas faltam áreas para descanso à s margens das rodovias. Na estrada não dá para parar. à muito perigoso por causa dos assaltos", destacou. Já o caminhoneiro Lindalvo dos Santos, 47 anos, diz que já foi assaltado uma vez e pensa em deixar de lado a profissão. Há dois anos, ele foi rendido por uma quadrilha, sofreu ameaças de morte até conseguir fugir dos criminosos. "A estrada está cada vez mais perigosa. Falta fiscalização, o que aumenta o risco de assaltos sem falar que tem muito irresponsável nas estradas, usando não só arrebites como outras drogas. Isso tem aumentado muito", frisou.