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CIDADES
Quinta-feira, 19 de Junho de 2008, 21h:03

BRIGA DE ESTUDANTES

Motivo: crise social e ausência de pais

Problemas sociais e falta de atenção familiar. Segundo a psicóloga especialista em comportamento juvenil, Sandra Maria Dorileo Homero, essas são as principais causas da formação de grupos ou tribos de jovens que se formam nas escolas da rede pública em Cuiabá. Nos últimos dias, alunos do Presidente Médici e do Nilo Póvoas travam brigas que surgem por causa de rixas entre os dois colégios. Sandra explica que não só a falta de limites, mas, principalmente, a falta de afeto dos pais geralmente é substituída pela formação desses grupos com objetivo de se ajudarem mutuamente. Ela destaca que isso não significa que pai e mãe devem estar a todo tempo perto dos filhos. “Além de dar amor, os pais devem mostrar que se preocupam com os filhos, sempre questionar, saber o que se passa na vida do filho. Isso não significa que o pai deve parar de trabalhar pra cuidar dos seus filhos, mas, sim, estar sempre atento. Isso é relacionamento de qualidade”, afirma. Além disso, para ela, os problemas sociais, a desestrutura familiar e as más companhias também influenciam na formação do caráter do jovem. “Tem filhos que têm pai e mãe desempregados, drogados, vizinhos criminosos. Essas coisas influenciam sim. É uma realidade triste”, lamenta a educadora. Em relação às punições escolares por causa das brigas, Sandra acredita que em primeiro lugar o diálogo sempre é a melhor alternativa. No entanto, segundo a psicóloga, em casos de reincidência, a expulsão é legítima. “No ano passado, uma escola particular decidiu expulsar alunos depois de vídeos de brigas divulgados na internet. Naquele momento, a escola assumiu o papel da família, de dizer basta. As regras precisam ser cumpridas”, defende. A psicóloga alerta que esses grupos podem se tornar propagadores de idéias como, neste caso, a bandeira da melhor ou mais influente escola. “No futuro, esses jovens podem ser disseminadores de ódio, não só contra alunos de outras escolas, mas também de homossexuais, góticos, punks e outros grupos. Uma espécie de bulling virtual”. Ela também rechaça a tentativa de culpar a internet pelas incitações à violência, como no caso das ameaças e agendamento de brigas pelo Orkut. O mau uso desses mecanismos, para ela, também é resultado da falta de orientações.

Edição EDIÇÃO 16968




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