Ocupação e exploração desordenadas do rio Cuiabá traz prejuízos não apenas aos que são obrigados a pagar para ter acesso ao curso dágua, um bem público. A degradação ambiental, cujos danos são extensivos a toda sociedade, também é visível e vem se agravando a cada ano. Ribeirinho desde o nascimento, Tertuliano Santana, 66 anos, dono de um comércio em um pequeno sítio à margem do rio, em Santo Antonio de Leverger, reclama que órgãos ambientais demoraram a agir e agora estão querendo responsabilizar os ribeirinhos pela degradação. O comércio dele está a menos de 20 metros do leito, em um ponto onde o rio faz uma curva e a margem é cortada pela principal estrada de acesso à comunidade Barranco Alto, sítios, fazendas e pesqueiros. Por causa de constantes desmoronamentos, o curso da estrada teve de mudar diversas vezes chegando a ser interditada. Santana diz que ainda se recorda a distância entre a casa (hoje comércio) construída por seu pai há mais de 50 anos, que ficava a 400 metros do rio. Conforme o ribeirinho, plantio de árvores, como querem os órgãos ambientais, não resolve o problema. A única alternativa, sugere, é a instalação de contensões de arame com preenchimento de pedras. O rio faz uma curva aqui, todo o volume de água e a correnteza vêm para esse lado, diz, justificando os desmoronamentos. (AA)