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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

CIDADES
Terça-feira, 04 de Setembro de 2012, 21h:02

POSTO DA MATA

Moradores interditam rodovias

Centenas de manifestantes exigem a “suspensão imediata” do plano de desocupação da área e afirmam que ficam na área “custe o que custar”

RODRIGO VARGAS
Da Reportagem
Moradores da localidade de Posto da Mata, no interior da Terra Indígena Marãiwatsede em Alto Boa Vista (1.065 km de Cuiabá), bloqueiam desde a madrugada de ontem o tráfego no entroncamento das rodovias MT-242 e BR-158. Com faixas, cartazes e bandeiras do Brasil e de Mato Grosso, centenas de manifestantes exigem a “suspensão imediata” do plano de desocupação da área - homologada como território da etnia Xavante em 1998. Entre eles, muitas crianças. De acordo com decisão da Justiça Federal, a retirada dos não-índios da área deverá começar a partir de outubro. Os moradores da localidade, hoje um núcleo urbano consolidado, afirmaram ontem que o bloqueio não tem prazo para acabar. O produtor Sebastião Prado, que tem uma fazenda na área a ser desocupada, disse que o protesto será apenas “uma primeira amostra” da disposição de todos em resistir. “Chegamos a um ponto que não tem mais jeito. O que estão fazendo conosco é um crime”, disse. Segundo ele, a intenção da maioria dos moradores é permanecer na área, “custe o que custar”. “Nós vamos sair de uma situação estável para ser clientes do Fome Zero? Agora vamos às últimas consequências.” O contato com o produtor foi feito por meio do telefone do escritório da Associação dos Produtores Rurais da Área Suiá-Missú (APROSUM). A entidade, cujo cadastro reúne 800 associados, disse não ter relação com a organização do movimento. “Não sei quem organizou e não posso comentar nada a respeito. Não estou nem em Mato Grosso”, disse por telefone o presidente da associação, Renato Teodoro. Não há números oficiais atualizados sobre a população não-índia em Marãiwatsede. Segundo a APROSUM, são sete mil pessoas. Homens do Exército, da Força Nacional e da PRF estão na área para monitorar a região e preparar as ações de outubro. O clima entre os moradores, segundo Prado, é de “pânico”. “Eu estou desolado e posso afirmar o mesmo em relação a todas as pessoas que vivem aqui. Se insistirem nesse crime hediondo, vai ocorrer uma grande tragédia”, declarou. O bloqueio das rodovias foi feito com o auxílio de carros de passeio e sucatas de veículos. Segundo Prado, motoristas dos caminhões presos no protesto receberão água e comida. “Não tem mais volta. Não queremos passar à história como bandidos.” Em nota, a Federação da Agricultura e Pecuária (Famato) se declarou “solidária” aos manifestantes, mas disse não concordar com a estratégia utilizada. “[Os bloqueios] prejudicam o direito de ir e vir dos passageiros e a economia de Mato Grosso, conforme foi demonstrado na última semana com a manifestação dos índios nas BRs 364 e 174.”

Edição EDIÇÃO 16961




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