Grupos de moradores descontentes com a falta de água provocada pela greve dos funcionários da Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap) realizaram ao menos dois protestos com barreiras de fogo no último dia da paralisação. O último, realizado em frente à sede da Sanecap, no Bairro Carumbé, aconteceu pouco depois do fim da greve ser anunciado, aproximadamente às 19 horas de ontem. Ainda sem saber do fim da greve, centenas de populares se aglomeraram em frente à Companhia de Saneamento e atearam fogo em entulhos colocados no meio da rua. Protesto similar ocorreu em frente à Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), também no Bairro Carumbé, algumas horas antes. Foi preciso a intervenção da Polícia Militar para acabar com ambos os protestos. No caso da manifestação em frente à Sanecap, duas viaturas precisaram ficar no local por algum tempo para evitar uma tentativa de invasão do órgão responsável pelo saneamento de Cuiabá. Contudo, não houve conflito e nenhuma prisão foi necessária. NO LUCRO Durante a semana de greve, no entanto, quem mais lucrou foram as empresas que fornecem caminhões-pipa. De acordo com levantamento feito pela reportagem, cada caminhão-pipa com 10 mil litros custa em média R$ 200 reais. No entanto, as empresas que fazem estes serviços estiveram com a agenda lotada, só podendo agendar locações com dois ou três dias de antecedência. Estima-se que 400 mil moradores de Cuiabá ficaram sem água durante a greve. Um dos principais problemas enfrentados foi em relação à função dos manobristas, que são os funcionários responsáveis pela abertura ou fechamento dos equipamentos que enviam água para as residências. Além disso, a entrega feita por meio de caminhões-pipa em bairros onde não há rede também foi muito prejudicada.