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CIDADES
Terça-feira, 07 de Julho de 2009, 21h:16

RECORRENTE

Moradores do CPA seguem sem receber água

Com período da seca, uso do produto tende a ser maior. Porém, cerca de 12 mil habitantes não conseguem abastecimento regular a pelo menos 14 dias

DANA CAMPOS
Da Reportagem
Aproximadamente 12 mil moradores do bairro CPA III, dos setores 3 e 5, em Cuiabá, sofrem há duas semanas com a falta de água na região. Segundo os habitantes, o problema é recorrente, e nos últimos 14 dias agravou-se ainda mais. “Não sobe água de jeito nenhum. Estou tendo que tomar banho no tanque todos os dias. É toda vida assim”, reclama o aposentado Moisés Francisco de Arruda, de 66 anos, que reside há quase 30 anos no bairro. A aposentada Zenaide Antunes Belém, de 66 anos, afirma que nesta época do ano, devido ao clima seco, o problema é ainda maior. “Tenho duas netas e neste período os problemas respiratórios são frequentes no dia-a-dia delas, que sofrem com tosse e irritação na garganta”, explica. Segundo Zenaide, desde que o falta de água se agravou, ela, assim como outros moradores da região, solicitam junto à Sanecap o encaminhamento dos caminhões-pipa, que acabam retornando à Companhia de Saneamento da Capital cheios d’água. “Além de eles demorarem três dias para enviar o caminhão, o funcionário não leva a mangueira até a caixa d’água, nem mesmo a que fica na parte de cima da casa. Mesmo se insistir. Sou viúva, minha filha e meu genro que moram comigo trabalham o dia todo. Fico em casa só com as minhas duas netas. Como é que eu, nessas condições, vou conseguir segurar a mangueira que é igual àquelas utilizadas pelos bombeiros? Não tenho força nenhuma”, explica a aposentada, revelando que sofre de osteoporose nas costas e de osso gasto nas duas pernas. Diante da reclamação dos moradores, o gerente operacional da Sanecap, engenheiro Noé Rafael da Silva, explica que o problema nos dois setores teria sido resolvido na sexta-feira. Disse que a equalização total vai ocorrer somente após conclusão da obra de duplicação da Estação de Tratamento (ETA) do bairro Tijucal, anunciada pela prefeitura da Capital para ser entregue em dezembro do ano passado. No entanto, as obras estão paralisadas há meses. De acordo com o secretário do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Aparecido de Oliveira Alves, a expectativa é de que dentro de quatro meses a obra seja concluída. “Mais de 90% da obra está finalizada. É que houve atraso no repasse de recursos oriundos do Ministério das Cidades, que resultou na paralisação das obras, pois as empresas responsáveis pela construção não tinham mais capital de giro para tocar as obras”, esclarece. “Creio que em até 15 dias esse impasse esteja resolvido e que as obras sejam retomadas. Daí, num prazo de até 90 dias a ETA estará finalizada”, diz acreditar. Quanto à queixa dos moradores sobre o atendimento dos carros-pipa, o engenheiro Noé diz que o serviço prestado pela companhia se limita até a calçada. “O funcionário não deve entrar na casa, sob o risco de ser penalizado por qualquer dano que venha ocorrer no interior do imóvel. Pois se ocorre algum acidente, o morador terá o direito de processar tanto a instituição, como o próprio funcionário”, diz.

Edição EDIÇÃO 16962




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