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CIDADES
Segunda-feira, 23 de Julho de 2012, 21h:42

GREVE GERAL

Mil servidores de braços cruzados em MT

Seis órgãos federais enfrentam problemas com a paralisação dos funcionários

Laura Nabuco
Da Reportagem
Mais de mil servidores de seis órgãos públicos federais estão de braços cruzados em Mato Grosso. Os últimos a aderirem à greve foram o Instituto Brasileiro de Geografia de Estatística (IBGE) e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que interromperam as atividades ontem. A expectativa é que a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) engrosse movimento a partir de hoje, após a realização de uma assembleia geral. Caso a greve seja realmente deflagrada, será o segundo órgão ligado a saúde pública a parar de trabalhar no Estado, já que os servidores do Ministério Saúde também estão paralisados. Entre as principais reivindicações está a reestruturação da tabela salarial, valorização das categorias e carreiras e o cumprimento de antigos acordos firmados com o governo federal. Ao todo, o movimento, que tem origem nacional, defende mudanças em sete eixos do funcionalismo público. Cada órgão, no entanto, tem reivindicações específicas. Em Mato Grosso, as greves mais duradouras são da Universidade Federal (UFMT) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A manifestação tem impacto, por exemplo, na operação de retirada dos não-índios da gleba Suiá Missú, em Alto Boa Vista (distante 1.064 km de Cuiabá), demarcada como território indígena dos xavantes. Embora o Incra já possua um levantamento de quantas famílias que vivem no local têm perfil para o programa de reforma agrária, os dados são de 2011. O próprio superintendente substituto do órgão, Salvador de Almeida, reconhece que os números já podem ter mudado devido a migração. Além disso, ele ressalta que à época do estudo nem todas as propriedades receberam a visita dos servidores. Mesmo assim, o projeto de desocupação pelos não índios foi entregue a Justiça Federal. (Leia mais abaixo) Na UFMT, a paralisação já dura dois meses. O governo federal chegou a fazer uma proposta aos professores, mas o texto foi rejeitado em assembleia por ampla maioria na semana passada. Um dos principais pontos questionados pela classe foi o modelo de progressão de carreira sugerido pela União. Prevendo que todos os professores interessados em serem promovidos tenham que passar por uma avaliação nos critérios impostos pelo Ministério da Educação (MEC), a proposta foi considerada uma afronta à Constituição Federal de 1988, que permite autonomia às universidades. Todas as negociações entre grevistas e governo são feitas em duas etapas. Na primeira, as propostas que saem da União são avaliadas por um comando nacional, que depois as submete aos regionais. Todas as alterações feitas pelos servidores nos Estados são, então, concentradas num único documento, novamente entregue ao governo federal. A logística, além de tornar mais lento o processo de negociação, permite brechas para que as peculiaridades de determinadas regiões não sejam plenamente atendidas.

Edição EDIÇÃO 16967




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