CIDADES
Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010, 10h:17
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OBRAS DA COPA
Migrantes enchem abrigos da Capital
Desempregados aportam em Cuiabá de olho no trabalho na construção civil, mas não acham vagas. Situação pode ser tornar um problema social
ALECY ALVES
Da Reportagem
A chegada de desempregados do interior de Mato Grosso e outros estados pensando em trabalhar nas obras da Copa do Mundo de 2014 já está se constituindo num problema para os albergues e abrigos sociais de Cuiabá. Autoridades temem que esta migração se transforme num problema social para a cidade. Desempregados, sem qualificação profissional e tampouco dinheiro para se manter, os trabalhadores acabam recorrendo a essas instituições na busca de um prato de comida, banho e uma cama para dormir. A gerente da Casa do Migrante, entidade mantida pela Igreja Católica e a prefeitura de Cuiabá, Eliana Aparecida Vitaliano, se mostra preocupada com o que vem acontecendo nos últimos dois meses. Somente em janeiro, 25 (71%) das 35 pessoas que passaram pelo abrigo estavam em Cuiabá sonhando com um emprego em alguma obra para a Copa, que acontece daqui a quatro anos. Esta semana, mais três migrantes deram entrada na entidade com planos de trabalhar nas construções, especificamente no novo estádio do Verdão, cujas obras devem começar em abril. São os casos do piauiense Sérgio Claro da Silva e do paranaense José Aparecido Praxedes. Sérgio Silva passou uma temporada em Campo Grande (MS) e decidiu vir para Cuiabá porque lhe disseram que o projeto do estádio vai abrir muitos postos de trabalho. Assim como o colega de abrigo, Praxedes fazia planos de se estabelecer na capital mato-grossense, mas está seguindo para o interior em busca de emprego na agricultura. Em uma das unidades do Programa Abordagem Solidária, da Secretaria Municipal de Assistência Social, estão Ademir Maciel, 23 anos, e Reinaldo Ribeiro, 33, catarinense e paranaense, respectivamente. Ademir contou que chegou a Mato Grosso há quatro anos e, por um período viveu em Nova Mutum, de onde decidiu, há quatro meses, vir para Cuiabá. Achei que com o anúncio da Copa seria melhor, mais fácil de arrumar emprego, mas as coisas não são bem assim, reclamou. Reinaldo Ribeiro, que disse ser soldador de máquinas pesadas e motorista profissional, contou que sua situação se complicou porque teve seus documentos roubados quando pretendia seguir para Rondônia. Sem dinheiro e local para ficar, acabou no abrigo público. De acordo com Eliane Vitaliano, as perspectivas de geração de empregos nos projetos de infra-estrutura para os jogos da Copa é o principal assunto nas rodas de conversa dos migrantes. Por causa disso, tanto Eliane como o gerente do Abordagem Solidária, Henrique José Andrade de Souza, acham que está na hora de os organizadores da cidade como subsede dos jogos traçarem políticas de atendimento aos migrantes. Em entrevista ontem, o presidente do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon), Cezário Siqueira Gonçalves Neto, se mostrou surpreso e preocupado com a informação. Ele disse que o setor ainda não sentiu os reflexos dessa migração e observou que a corrida por emprego é algo comum nos grandes centros, independente de eventos como a Copa. A principal preocupação do mercado da construção, destacou Cezário Neto, é com a qualificação profissional. Mesmo quem vive na Capital, alertou, corre o risco de perder espaço para trabalhadores de outras regiões se não se qualificar. O presidente do Sinduscon fez questão de informar que o empresário do setor que arregimenta mão-de-obra de outra cidade tem por obrigação oferecer alojamento e outros benefícios previstos em normativa (NR14) da indústria da construção civil.