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CIDADES
Sábado, 22 de Março de 2008, 13h:51

Mesmo com problemas, moradora antiga diz não ser capaz de sair

O amor pela história da família e o carinho das lembranças de um passado tranqüilo e rico em amizades impedem dona Elza Vitória Pacheco, 81 anos, de sair do Centro Histórico de Cuiabá. Moradora há mais de 60 anos de um casarão cuiabano típico, dona Elza não sabe estimar há quantos anos o imóvel foi construído. Orgulhosa, dona Elza não pensa duas vezes em dizer que não há como sair da casa. Porém, se mostra preocupada com as mudanças que vêm ocorrendo no bairro onde mora há tanto tempo. Dona Elza lembra que quando se mudou para o casarão, logo após o casamento, havia muitos vizinhos importantes no Centro e os casarões eram bem cuidados. Na época, era possível dormir de janelas e portas abertas e, em todo final de tarde, o comum era encontrar os vizinhos sentados nas calçadas conversando sobre os mais diversos assuntos. Hoje em dia, diz dona Elza, é impossível fazer isso no Centro. A casa fica trancada o dia inteiro. Nas portas e janelas, grades tentam proteger o patrimônio de possíveis invasores. Já restaurado com a ajuda do Iphan, o casarão ainda guarda uma boa parte da história de Cuiabá, como o poço que era usado para que os escravos de um dos proprietários pegassem água e os ganchos que eram presos quando castigados. “Essas casas guardam muito da história de Cuiabá. É um lugar que precisa ser cuidado, porque tantas coisas já aconteceram por aqui. Fico triste quando vejo os casarões caindo, ruindo. Mas não saio daqui por nada. Aqui está a minha história, a vida da minha família”, conta dona Elza. (AC)

Edição EDIÇÃO 16961




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