CIDADES
Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010, 18h:31
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DIA DA CRIANÇA
Menina com HIV ganha família e um lar
Enfermeira e marido se apaixonaram por A.M, de 1 ano e 9 meses, desde que chegou ao abrigo e deram a ela o que toda criança merece
ALECY ALVES
Da Reportagem
Portadora do vírus HIV, a pequena A.M., hoje com um ano e sete meses, não nasceu em uma família como toda criança merece, na qual receberia amor, carinho e viveria em condições de segurança. Entretanto, há cinco meses ganhou um lar com mãe, pai, irmãos, avós, tios, primos e muitos amigos. Mais que uma família numerosa, a menina agora recebe o tratamento afetuoso que lhe é de direito. Os novos pais, a enfermeira Elisa Brígida Oliveira, 43 anos, e o aposentado João Oliveira, 65 anos, casados há 26 anos, nunca tinham pensando em adoção. Pais de um casal, Jonatan, 23, e Elizamara, 21, Elisa e João acreditavam que a família estava completa, no tamanho idealizado por ambos. Isso, até o dia em que Elisa conheceu A.M., no Lar da Criança. Oriunda de uma família com problemas com drogas, por determinação judicial, a pequena foi levada para o abrigo dois dias depois do seu nascimento. Enfermeira do mesmo abrigo há dois anos, Elisa contou que na medida em que cuidava da menina seu amor por ela crescia. Em casa, de tanto ouvir falar da pequena, todos começaram a amá-la e a tinham como alguém da família. Se Elisa chegava do trabalho e não contava ou demorava a fazer comentários sobre ela, logo alguém queria saber o que aconteceu. Mãe, não vai falar nada da A..., questionava a filha Elizamara. Quando A. completou nove meses e entrou para adoção, Elisa fez uma reunião em casa e juntos decidiram que tentariam adotá-la. Mas além de Elisa e o marido João, havia outros 11 casais na fila de espera da adoção. Até que os casais fossem consultados e a documentação tramitasse, a família Oliveira conviveu com o medo de perdê-la. Quando eu ia para o trabalho ficava apavorada só de pensar que poderia não encontrá-la, que outra família a tivesse levado, confessou Elisa. A condição de portadora do HIV, porém, fez com que Elisa se tornasse a única interessada na adoção da menina. Ela e o marido receberam visitas de assistentes sociais, foram entrevistados em juízo e se submeterem as outras exigências que antecedem a adoção. Sabemos que são procedimentos necessários, mas não suportávamos a espera, queríamos tê-la em casa, observou o casal. João e os filhos Jonatan e Elizamara a viram pela primeira quando a receberam em casa, mas de tanto ouvir os relatos da enfermeira, comportaram-se como se convivessem diariamente com ela. A menina também se adaptou rapidamente. Dois dias depois, quando saí para o trabalho, meu marido e minha filha ficaram cuidando dela e não tiveram nenhum problema, contou a mãe. A adoção dela parece coisa de Deus. Era para ela ser da nossa família, avaliou Elisa. Ao nascer, a menina recebeu o coquetel antiviral, não amamentou na mãe biológica, portadora da AIDS, e por três meses recebeu medicação específica, como preconiza o sistema de saúde pública. A menina apresenta ótimas condições de saúde. Ela é saudável, nem resfriada fica, disse a mãe. A carga viral também está baixa e a expectativa da família é que o vírus desapareça. Mas se isso não acontecer, nada muda. Quando alguma amiga a questiona sobre a adoção ou comenta sobre a possibilidade de morte da filha, Elisa disse que responde que muitas pessoas sem Aids morrem precocemente. Digo que o câncer, as drogas e o próprio álcool matam mais do que a Aids. Ela viverá conosco o tempo que Deus quiser, curto ou longo, como muito carinho e amor, disse o pai.