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CIDADES
Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007, 20h:35

PLANALTO

Médicos voltam a deixar plantão da policlínica por medo

KEKA WERNECK
Da Reportagem
Os médicos Euler Gustavo Presa (pediatra) e José Fábio (clínico geral) abandonaram o plantão que faziam na policlínica do Planalto na segunda-feira de carnaval, alegando que sentiram medo de continuar trabalhando sem policiamento na unidade. Policiais Militares que também deveriam estar fazendo plantão no local não compareceram. Presa conta que começou a trabalhar às 19 horas e que a unidade estava superlotada, por ter faltado médico à tarde, deixando pacientes acumulados para a noite. “Havia muita gente e muito tempo de espera. Quando isso acontece, já viu a situação. A população estava muito revoltada”, lembra o médico. Segundo ele, só terminou de atender à meia-noite. Normalmente consulta 20 crianças, nesse dia foram 60. Segundo ele, a maioria com apenas gripe, mas que no posto de saúde não foram devidamente contempladas. O clínico José Fábio também consultou mais de cerca de 30 adultos. O acúmulo de pacientes se deveu a um problema que não é pontual. À tarde, de fato, na data da ocorrência, não havia pediatra na unidade, porque há uma vaga ociosa na especialidade. E a clínica geral está de licença médica. “Nossa grade não está preenchida, porque não tem médico no mercado,” justifica o coordenador da policlínica do Planalto, José Luis Cunha, se referindo à rejeição da categoria à saúde pública. “É aparecer e a gente contrata”. No dia da ocorrência, os dois ficaram assustados com o clima de tensão na policlínica e dizem ter ligado para a delegacia do Planalto, onde não havia policial. Então seguiram para a Delegacia Metropolitana, onde registraram boletim de ocorrência. A população do Planalto, na opinião de Presa, é violenta. “Quando tem briga no presídio (do Carumbé, que é próximo), trazem para cá, é briga de gangue, é boca-de-fumo”, resume. Não é a primeira ocorrência de abandono de plantão na policlínica do Planalto. E o policiamento é um acordo que a prefeitura fez com a PM para resolver o problema, não só nesta policlínica, mas nas cinco. O secretário municipal de Saúde, Olete Ventura, por meio da assessoria de imprensa, diz que vai cobrar da PM o porquê da falta. E diz ainda ter ficado sabendo apenas de uma ausência de médico, na policlínica do Coxipó, onde segundo ele foi colocada uma ambulância para transportar até outras pacientes que chegassem lá. Um médico, de uma outra policlínica, também teria falecido. Afirma que vai checar tudo o que aconteceu. O coronel Antônio Moraes, titular do Comando Regional 1, afirma ter tomado conhecimento desta falta pela reportagem e acha estranho, a princípio, a notícia. “Muito esquisito. Estivemos de prontidão nas ruas de Cuiabá por causa do carnaval e não chegou para nós, no 190, a falta de ninguém”. De qualquer forma, Moraes também ficou de conferir o que aconteceu. GREVE – Segurança é um dos problemas que os médicos afirmam enfrentar na rede pública do município. Desde 21 de setembro do ano passado, a categoria mantém um movimento que já rendeu três greves sequenciais e uma liminar obrigando a volta ao trabalho. Há uma outra assembléia marcada para segunda-feira, às 19h, no Sindicato dos Médicos (Sindmed). A entidade acusa o prefeito Wilson Santos de estar sendo “arrogante” nas negociações. “Vamos propor outra paralisação ou sugerir que os médicos insatisfeitos peçam demissão”, avisa a presidente Maria Cristina Pacheco da Costa. A reportagem não conseguiu novo contato com a prefeitura, apesar de tentar até 19 horas, para saber os motivos pelos quais as reivindicações da categoria não estariam sendo atendidas.

Edição EDIÇÃO 16969




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