A adesão dos médicos servidores do Estado à greve da categoria foi maciça, conforme o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed). O atendimento ambulatorial nos hospitais regionais foi reduzido aos 30% obrigatórios por lei. Entretanto, apesar da paralisação, os serviços de urgência e emergência dos hospitais regionais estão funcionando normalmente. O Estado tem cerca de 500 médicos servidores em seu quadro de funcionários. O presidente do Sindimed, Edinaldo Lemos, rebateu as declarações do secretário de Saúde de que a greve tem cunho meramente salarial. Segundo ele, os médicos estão preocupados com o modelo de gestão que coloca Organizações Sociais (OSS) à frente da administração dos hospitais regionais do Estado. A categoria é contra. Nós lutamos pela aprovação do PCCV [Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos] e para que haja concurso em 2011. Se uma OSS assumir a direção, não haverá mais carreira, não haverá mais estabilidade para os servidores, afirmou Lemos. Um dos receios dos médicos é em relação ao destino dos servidores do Estado no novo tipo de gestão. Lemos disse que ainda não está claro o que vai acontecer com os médicos contratados e concursados quando o novo sistema entrar em vigor. Nem o secretário sabe muito bem o que vai acontecer. Na avaliação do sindicalista, os contratados deverão seguir em seus postos normalmente, mas os concursados poderão ter problemas. Nesse caso, os concursados poderão pedir para virar contratados, poderão pedir demissão para ser contratados ou ser lotados em outro lugar, afirmou. O presidente do Sindimed criticou o que chamou de decisão radical do secretário de Estado de Saúde, Pedro Henry. O tema não foi discutido com os trabalhadores e sequer com o Conselho Estadual de Saúde. Esse tipo de gestão é uma traição do Estado com os servidores públicos. Mato Grosso tem quatro hospitais regionais em Rondonópolis, Sorriso, Colíder e Cáceres. O quinto será o Hospital Metropolitano, em Várzea Grande, que deve ficar pronto até maio.