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CIDADES
Segunda-feira, 11 de Junho de 2012, 21h:23

SAÚDE PÚBLICA

Médicos de VG fazem a segunda greve em 4 meses

Os profissionais pedem a regularização de pagamentos atrasados, aumento salarial e melhores condições de trabalho; prefeitura contesta

JÉSSICA BENITEZ
Da Reportagem
Cerca de 350 servidores da rede pública de saúde de Várzea Grande entraram em greve por tempo indeterminado desde ontem pela manhã. Entre as principais reivindicações estão a regularização de pagamentos atrasados, aumento salarial e melhores condições de trabalho, além da implantação definitiva da lei 3.723/2012, que substitui as verbas indenizatórias. De acordo com a categoria a remuneração da classe médica que atende no Sistema Único de Saúde (SUS) do município sofreu um corte de 20% em janeiro deste ano. “Houve promessa de aumento já para o salário de fevereiro de 2012 e até agora não cumpriram nada. Trabalhamos dobrado durante a epidemia de dengue, fomos verdadeiros heróis porque além de recebermos pouco, trabalhamos totalmente sem estrutura para atender tamanha demanda”, desabafou ontem o clínico geral do Pronto Socorro de Várzea Grande (PSVG), Clever Antônio da Silva. O médico ainda afirma que devido ao não-funcionamento 24 horas nas policlínicas, o PSVG fica sobrecarregado recebendo casos que não são responsabilidade da unidade. Por determinação judicial, 60% da categoria deve continuar atendendo a população da cidade. Segundo consta na liminar, conforme exposição de motivos e fundamentos na peça inicial, o Município de Várzea Grande qualifica a greve como “ilegal e abusiva”. Mesmo com mais da metade classe presente nas unidades de atendimento, o primeiro dia de paralisação já surtiu efeito. Durante toda a tarde desta segunda o PSVG ficou lotado, sendo que a média de espera por atendimento era de 5 horas. “Concordo que os médicos têm direito de lutar por melhorias, mas a população sempre sai prejudicada nessas ocasiões. A gente não tem outro recurso, dependemos do SUS e agora como fica nossa situação?”, indagou a dona de casa Hilcinéia da Silva Souza, que estava com a mãe há mais de três horas esperando por uma consulta no Pronto Socorro. O motorista e abastecedor Ary Ferreira da Cruz estava há mais de um dia aguardando com o sobrinho por uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva (ITU). “O rapaz tem só 24 anos e corre o risco de morrer aqui. Meu sobrinho está no corredor, já teve duas paradas cardíacas e não há previsão de transferência para a UTI. Estou me sentindo um lixo. Pago todos os meus impostos e não tenho direito de tratamento digno na rede pública de saúde. Greve de [pagar] IPTU não temos o direito de fazer”, reclamou. Por meio de nota oficial o secretário Municipal de Saúde de Várzea Grande, Marcos José da Silva, informou que nunca deixou de receber representantes do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindmed). Para ele, alguns profissionais da saúde estão dirigindo a situação de maneira imprópria e comportamento duvidoso, já que a secretaria cumpriu e está cumprindo as reivindicações solicitadas pelo sindicato no último movimento grevista iniciado há apenas quatro meses. Uma das preocupações é que, com a greve dos médicos em Várzea Grande, haja uma sobrecarga nas unidades públicas de Cuiabá, que já não suportam a própria demanda. Policlínicas – A policlínica do bairro Cristo Rei segue com seu fluxo normal. É o que afirma Lazaro de Nóbrega, diretor da unidade. “Ainda não sentimos o efeito da greve. Acredito que esse tipo de movimento acontece sem necessidade, pois visa mais o benefício próprio. No entanto acho que seria bastante válido se todas as policlínicas funcionassem 24 horas”, opina.

Edição EDIÇÃO 16961




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