CIDADES
Sexta-feira, 27 de Julho de 2012, 20h:58
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RESOLUÇÃO
Medicamentos voltam às gôndolas
Stéfanie Medeiros
Da Reportagem
Uma nova resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), divulgada ontem, vai trazer remédios não tarjados de volta ao alcance do consumidor. De acordo com o documento, os medicamentos de venda livre deverão ficar localizados juntos com os produtos cosméticos, dietéticos e similares. A resolução n° 41 altera a de N°44, de 2009, que determinava que os remédios isentos de prescrição fossem colocados atrás do balcão, com o objetivo de reduzir a automedicação e evitar o uso irracional de medicamentos pela população. No entanto, a resolução foi amplamente questionada e rendeu a Anvisa 70 processos judiciais. Como onze Estados criaram leis para reverter à decisão da agência, a Anvisa fez um estudo que mostrou que a determinação não havia cumprido sua meta e que o número de intoxicações no país não tinha se alterado. No mês de abril, a agência fez uma apreciação pública sobre a questão, que ficou aberta para contribuições por 30 dias. Os resultados mostraram que a população não havia sido beneficiada pela determinação. Por isso, a Anvisa decidiu alterar a norma e restabelecer o posicionamento dos remédios livres de prescrição. No entanto, as farmácias e drogarias deverão colocar um cartaz perto das prateleiras com os dizeres medicamentos podem causar efeitos indesejados, evite a automedicação: informe-se com o farmacêutico. De acordo com o farmacêutico Ricardo Boscarato, nós temos no Brasil uma cultura de procurar o farmacêutico antes do médico, e ambas as resoluções não mudaram em nada o costume dos consumidores. Nós precisamos implantar um projeto de reeducação do paciente, para que nos futuro isso não aconteça mais, disse. A operadora de caixa Jéssica de Souza diz que essa nova resolução, ao mesmo tempo em que facilita a compra para o consumidor, também é mais prejudicial. Com certeza induz a automedicação. Qualquer dorzinha que a pessoa sentir, ela vai e compra um remédio. Já o presidente do Sindicato das Farmácias de Mato Grosso, Ricardo Cristaldo, diz que nenhuma resolução induz a automedicação, utopia de farmacêuticos xiitas. De acordo com ele, o problema não é a automedicação, mas a falta de médicos no serviço público. Guilherme Silveira/DC Proibição foi questionada, rendeu 70 processos judiciais contra a Anvisa e ainda não reduziu o número de intoxicações