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CIDADES
Sexta-feira, 15 de Junho de 2007, 20h:46

OPERAÇÃO ZAQUEU

Marchett tenta revogação da prisão

O empresário é acusado de ser o maior receptor de agrotóxico contrabandeado da China, no esquema desbaratado pela Polícia Federal de Dourados

RODRIGO VARGAS
Da Reportagem
A defesa do empresário Elói Marchett ingressou ontem na 3ª vara da Justiça Federal de Campo Grande (MS) com um pedido de revogação de sua prisão temporária, decretada há uma semana. Considerado foragido, ele é acusado de envolvimento com a quadrilha desbaratada pela operação Zaqueu da Polícia Federal esta semana. De acordo com as investigações da PF de Dourados (MS), Marchett era o principal receptador das cargas de agrotóxicos contrabandeadas da China pelo esquema. Um de seus funcionários, José Íris, foi um dos presos na operação. O advogado Eduardo Fraga Filho, que defende o empresário, diz ter pedido a liberdade provisória de ambos. “Vamos ao TRF [Tribunal Regional Federal da 3ª região, em São Paulo], se for preciso, mas esperamos que a Justiça entenda que não há provas destes crimes, que são afiançáveis”. Em entrevista ao Diário há dois dias, Fraga Filho disse não ter obtido acesso às provas produzidas contra seu cliente pela PF. O cerceamento de defesa seria o principal motivo a impedir o empresário de se apresentar espontaneamente à Justiça. “Ele quer se apresentar, pois não deve nada. Mas eu seria irresponsável, como advogado, se permitisse que ele fosse até lá para ser preso, sem saber exatamente qual é a acusação”, assegurou, à ocasião, ao Diário. Hoje Fraga admite conhecer as acusações que pesam contra o empresário – contrabando e descaminho. Mas prefere aguardar o posicionamento da Justiça em relação aos pedidos protocolados ontem. “São crimes afiançáveis”, assegurou. Marchett é proprietário da Sementes Carolina, empresa com sede em Rondonópolis (220 quilômetros de Cuiabá) que, segundo a PF, seria o principal destino dos agrotóxicos despachados pelo esquema. Ele nega ter feito a transação. Mesmo assim, seu advogado faz questão de minimizar eventuais provas do crime. “Contrabando e descaminho é um crime que ocorre à luz do dia, em qualquer banca de camelôs. Não importa a quantidade, se é oito ou oitenta. Só estão fazendo alarde porque se trata de um empresário conhecido”.

Edição EDIÇÃO 16968




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