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CIDADES
Sexta-feira, 23 de Maio de 2008, 20h:44

PROTESTO INDÍGENA

Manifestantes liberam pistas da MT-170

Apesar do fim do bloqueio, clima entre etnias da região de Juína e órgãos federais ainda é tenso, por conta da falta de resposta à reivindicações

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Mesmo com a chegada dos funcionários Miguel Foti, da Funasa, e Eimar Araújo, da Funai de Brasília, continua tenso o clima entre os indígenas na região de Juína (730 quilômetros, ao Noroeste de Cuiabá). Após 5 dias de protesto, eles ao menos desbloquearam a rodovia MT-170, na tarde de quinta-feira. Por telefone, Eimar Araújo negou que ele e o representante da Funasa tinham sido feitos reféns pelos índios das etnias enawenê-nawê, rikbaktsa, cinta larga, arara, myky, irantxe, kayabi, apyaka e mundurucu. “Fomos liberados para jantar e dormir, mas temos o compromisso de ficar na sede da Funai”, disse. Além da retirada de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH), instalada no rio Juruena, e o repasse de 40% do ICMS ecológico para aldeias, os manifestantes cobram melhorias nas condições de saúde da população indígena. Segundo Eimar Araújo, realmente há uma deficiência na assistência à saúde dos povos. “A situação de saúde é grave”, afirmou. Os índios, conforme a vereadora de Juína, Joselina Moraes, relataram alguns casos que comprovam as deficiências de atendimento médico. Um deles ocorreu recentemente na aldeia Araras, que fica no município de Aripuanã, onde um índio teria morrido com suspeita de dengue. Outro caso foi a morte de um bebê rikbatsa de um ano e seis meses com pneumonia. “A desnutrição também começa a ser um alerta para os rikbatsas”, frisou a vereadora. Por outro lado, Miguel Foti lembrou que os problemas já haviam sido encaminhados à presidência da Funasa e que estavam no aguardo de uma resposta. Ele também ponderou que a situação envolve outras condições que vão desde um contexto histórico ao contato com a sociedade e sociais. “Existem alguns problemas operacionais que precisam ser sanados”, comentou. A vereadora Joseina Moraes confirmou que a rotina das equipes de saúde nas aldeias foi quebrada há pelo menos um mês, devido a problemas em veículos dos órgãos federais. O protesto dos indígenas começou na manhã de domingo. Representantes das casas Civil e Militar e da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) de Mato Grosso também estiveram no local participando das negociações. Por meio da assessoria de imprensa, o superintendente de Assuntos Indígenas do governo do Estado, Rômulo Vandoni, lembrou que, embora o conflito seja de responsabilidade dos órgãos federais, no que cabe ao Estado, os índios foram atendidos, em especial com o que diz respeito à educação indígena. Além disso, no que se referente ao ICMS Ecológico, o Estado se prontificou a intermediar com a Funai o pleito. O governo também vai intermediar, segundo Vandoni, com o órgão federal ações que melhorem a qualidade de vida dos índios. A MT-170 liga seis municípios da região. O bloqueio prejudicou o transporte de cargas de alimentos, combustíveis, entre outros.

Edição EDIÇÃO 16964




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