CIDADES
Sábado, 05 de Julho de 2008, 14h:59
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PANTANAL
Mais possíveis ataques
Pescadores de Cáceres se dizem alarmados com a morte de rapaz e querem providências para conter as onças
CLARICE NAVARRO DIÓRIO
Da Sucursal
Pescadores profissionais de Cáceres estão alarmados com o ataque de uma onça pintada ocorrido há cerca de duas semanas, em um acampamento no Pantanal, que resultou na morte do pescador Luiz Alex da Silva Lara, de 22 anos. O jovem foi retirado da barraca onde dormia, arrastado para o mato e teve parte do corpo (laterais do crânio e nuca) devorados. Os locais temem novos ataques e afirmam que o número de onças na região cresceu muito nos últimos anos, ao contrário de outros animais, que fazem parte da cadeia alimentar desses felinos e estão sendo praticamente dizimados. Elas estão famintas, declara o pescador Jorge Pedroso, 53 anos e 16 de profissão. Enquanto avistamos onças todos os dias, não vemos mais capivaras, cervos, antas, caititus. A onça é o topo da cadeia alimentar e está devorando todos esses bichos. Ultimamente, só se encontra carcaça de jacaré. Quando a comida dela acabar de vez, ela vai entrar na cidade e comer gente, prevê. O ataque aconteceu em um acampamento a 240 quilômetros de Cáceres, na localidade conhecida como Pacu Gordo, vizinha à estação ecológica do Taiamã. Alex e seu pai Alonso, de 54 anos, estavam acampados às margens do rio Paraguai. Trabalhavam como pescadores de iscas. O pai saiu para pescar e, ao voltar, viu o corpo do filho sendo arrastado por uma onça. Outra onça acompanhava. Pediu socorro pelo rádio do barco e, em minutos, chegaram companheiros, que conseguiram resgatar o corpo do jovem, arrastado 65 metros dentro da mata. Imagens do corpo mutilado estão espelhadas pela internet, especialmente no Orkut. Há informações de que um CD com as imagens está sendo comercializado na cidade. O pai diz que liberou as imagens para que todos se sensibilizem e para que as autoridades competentes tomem providências. Segundo ele, uma bióloga paulista chegou a dar uma entrevista duvidando do fato. Isso me revoltou muito. Eu vi meu filho ser morto sem ter como salvá-lo, pois dispunha apenas de um facão. Alonso Lara nega, no entanto, que tenha partido dele a iniciativa de um movimento a favor de que pescadores profissionais possam trabalhar usando armas de fogo. Nunca disse isso, afirma. Ele escreveu uma carta, já enviada à Assembléia Legislativa de Mato Grosso, e que deve ser enviada a autoridades federais. Quer que alguém seja responsabilizado pela tragédia e que a família possa ser indenizada. Meu filho era meu braço direito e esteio da família. Vou ter que voltar à mesma região para pescar, tenho que trabalhar para pagar os gastos com o funeral. Os pescadores afirmam que as autoridades se preocuparam em preservar a onça e se esqueceram dos outros animais, o que acabou causando o desequilíbrio. Acho que preservar o meio ambiente é preservar tudo, não só a onça, diz o pescador Jorge Pedroso. Nós temos que ir longe para conseguir pescar. Na minha opinião, há dois caminhos: combater as onças quando necessário e oferecer outro meio de vida aos pescadores. No caso, combater a onça, significa andar armado. Queremos poder andar armados sim. Mas só dentro da mata e matar para nos defender, só em casos assim. O pai do pescador morto afirma que no ano passado o filho havia escapado de um ataque de onça. E que vários colegas também passaram por situações semelhantes, escapando por pouco. O presidente da Colônia de Pescadores Z-2, de Cáceres, José Lourenço, informa que a colônia foi solidária com a família e ajudou no que foi possível. Não demos e nem daremos nenhuma orientação para que os pescadores se armem. Pelo contrário. Estamos recomendando que acampem em grupos e revezem na vigilância. E na próxima semana iremos com o Ibama e a Sema percorrer os acampamentos dando orientações sobre segurança e alertando sobre o perigo de manter fogueiras que podem queimar a mata.