CIDADES
Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007, 20h:48
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SAMU
Mais da metade de chamadas equivocadas
Chamar o Samu tem sido uma rotina na vida da população de Cuiabá. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência recebe em média mil ligações por dia, contando as que chegam ao Corpo de Bombeiros. Criado para resolver urgências, se perde em meio a tantos pedidos de socorro, nem todos de fato emergenciais, embora reflitam a dificuldade de locomoção dos moradores, principalmente os que vivem na periferia. Mais da metade das chamadas é avaliada como não sendo competência do Serviço ou trote. Isso quer dizer que, enquanto os cinco carros disponíveis na Grande Cuiabá atendem a equívocos, pessoas em risco podem estar sendo negligenciadas. O Samu tem 10 carros, mas só cinco rodam. Os outros são sobressalentes, argumenta o superintendente da Central Estadual de Regulação, Maurício Fernando Estrada. O Serviço é ligado à Regulação, justamente porque precisa ser regulado. De lá o médico Hoark Corrêa, especialista em terapia intensiva, analisa os chamados. Para demonstrar quais são os casos que não seriam responsabilidade do Samu ele conta alguns: mulher em trabalho de parto é, porém algumas pedem socorro e quando o carro chega lá estão tomando banho, arrumando a mala de roupinhas; embriagues de risco é, mas recolher bêbados incômodos não. O Samu está agindo conforme seu objetivo quando chega em menos de 14 minutos a média de tempo reposta atual em acidentes com trauma. Se houver vítima presa, daí é caso para o Corpo de Bombeiros. Se tiver que ser feito salvamento também. Traumas são especialidade do Samu, assim como emergências clínicas, sendo as mais comuns enfarto e iminência de parto. A importância da eficiência no serviço de urgência, conforme o médico Hoark Corrêa, é que o primeiro atendimento, durante o que é chamada de hora de ouro, vai influir na sobrevivência da vítima e na redução de seqüelas. Dos cinco carros do Samu em funcionamento, quatro ficam em unidades do Corpo de Bombeiros e um na Central. Dois são unidades avançadas com médico, enfermeiro com formação em urgência e dois socorristas, equipada com aparelhos de UTI. Três são ambulâncias básicas. O Ministério da Saúde preconiza uma UTI móvel para cada grupo de 500 mil habitantes. E uma ambulância básica por 100 mil. Mato Grosso cumpre. A população, porém, reclama que o Samu não vai, demora. Talvez esteja dentro deste universo de casos desconsiderados. Para chamar o Samu, a ligação é gratuita para o 192. Mas o pedido do Serviço é para que a população mesma avalie se está fazendo isso sempre que tem uma dificuldade de locomoção ou quando se vê diante de uma emergência de fato. As dificuldades mais comuns da população são ter dinheiro para passe de ônibus ou um vizinho com carro que seja solidário. (KW)