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CIDADES
Segunda-feira, 10 de Março de 2008, 22h:18

ARCO DE FOGO

Madeireiras são alvo do 1° dia

ROSANI TRINDADE
Da Reportagem/Sinop
Começou ontem em Mato Grosso a Operação Arco de Fogo. As primeiras ações das equipes da Polícia Federal (PF), Força Nacional de Segurança e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foram deflagradas em Sinop e duas indústrias madeireiras tiveram os estoques de madeira vistoriados, fiscalizados e medidos durante todo o dia. Uma delas foi a empresa do presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Norte de Mato Grosso (Sindusmad), José Eduardo Pinto, a Madeiranit. Três equipes com pelo menos 12 homens fortemente armados estiveram na empresa. A operação tem o objetivo de investigar o desmatamento em 19 cidades mato-grossenses, a maioria delas localizada na região norte do Estado. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o aumento de desmatamento foi grande em diversas localidades. As equipes saíram nesta segunda-feira da base operacional em Sinop e deverão atuar na região, por um período ainda indefinido. Os fiscais, engenheiros florestais e técnicos do Ibama estão checando a procedência de toras, estoques nos pátios e planos de manejo. A equipe mapeou a região onde a operação será desenvolvida. Serão inspecionadas, a partir de agora, cidades inseridas na lista de desmatamentos ilegais do Ministério do Meio Ambiente. Entre elas estão Marcelândia, Alta Floresta, Juara, Juína e Peixoto de Azevedo. De acordo com o empresário e ex-diretor da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Sidnei Bellincanta, o grande questionamento não é em relação à fiscalização, mas não podem admitir a intimidação. “Um absurdo, 12 homens armados com seis ou sete viaturas todas de sirenes ligadas, assustando os empregados. Poderia até acontecer um acidente de trabalho. A Madeiranit é uma empresa conhecida na cidade e que, com certeza, não ofereceria nenhuma resistência para que o Ibama fiscalizasse. Então, achamos um abuso a maneira com que foram abordados, com todo este aparato e escândalo. Sinceramente o que eu acho é que eles querem é justificar dados errados que passaram para toda a nação. Informaram uma série de desmatamentos que não existem, e que deveria ir até estes pontos fiscalizar, estão vindo nas madeireiras”, desabafou. O vice-presidente do Sindusmad e presidente do Centro das Indústrias Produtoras e exportadoras de Madeira (CIPEM), Jaldes Langer, participaram de uma reunião com outros associados do Sindusmad. Langer disse considerar muito estranha a decisão do Ibama de escolher primeiro a indústria do dirigente do sindicato. “Estamos realmente acuados, porque empresários com CGC, documentação em dia e endereço fixo, não havia necessidade de amanhecer com Polícia Federal, Força Nacional e rifles. Era só requerer a documentação e fazer a fiscalização, sem apresentar todo este show. Muito nos estranha o setor de base florestal ser alvo desta fiscalização, já que o governo disse que o foco da fiscalização será nas áreas apontadas onde há derrubadas”.

Edição EDIÇÃO 16962




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