CIDADES
Sexta-feira, 01 de Junho de 2007, 21h:08
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NOROESTE DE MT
Liminar pode dar fim a manifesto
TAUANA SCHMIDT
Da Reportagem/Sinop
A juíza da 2ª Vara Cível de Juína, Geovana Pascoal, expediu liminar para que os índios da região noroeste de Mato Grosso desbloqueiem a MT-170, entre os municípios de Brasnorte e Juína, interditada desde às 5h da última quinta-feira. A liminar foi pedida pela prefeitura de Juína e por uma empresa frigorífica do município. Ela deveria ser cumprida em 48 horas, se uma questão de divisa não interferisse na ação. A questão é que a jurisdição da comarca de Juína termina na divisa do município, o rio Juruena, exatamente onde o manifesto indígena está sendo feito. Agora, a Polícia Militar de Juína encaminhou a liminar para o governo do Estado esperando que uma medida seja tomada o mais rápido possível, já que nenhum tipo de veículo passa na barreira, exceto ambulâncias, e muitos prejuízos estão sendo causados. O diretor de um frigorífico, Geraldo Navarro, diz que seu prejuízo já passa dos R$ 2,4 milhões. Estou com os caminhões parados cheios de carne e ainda animais no curral que não posso transportar. Minha produção iria para São Paulo, se não fosse o abandono pelo qual a região está passando. Estamos à mercê dos índios e não se vê nenhum representante de poder público no local para tentar alguma negociação, afirmou, revoltado. Navarro tem 21 caminhões carregados com 2,1 mil cabeças de boi abatidas, são 25 toneladas de carne por caminhão, um prejuízo de R$ 1,8 milhão. Ele ainda registrou outros R$ 600 mil de prejuízo com 700 cabeças vivas esperando em curral para serem transportadas. A mobilização dos índios já dura 48 horas. São cerca de 100 manifestantes, armados com arco e flecha, de oito etnias: enawene-nawe, kayabis, mykys, erikbaksta, irantxe, cinta-targas, kawahiva e canoeiros. Eles cobram que medidas sejam tomadas no que diz respeito a assuntos relacionados a terras indígenas, atendimentos financeiros, hospitalares e ambientais oferecidos a eles. De início eles exigiam a presença do governador do Estado, Blairo Maggi, do presidente da Fundação Nacional do Índio, Marcio Augusto Freitas de Meira, e de um procurador público federal, para liberarem a pista. No momento, eles exigem que apenas um representante da Funai e do Ministério Público Federal estejam no local.