CIDADES
Sexta-feira, 08 de Outubro de 2004, 21h:44
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GREVE DOS BANCÁRIOS
Justiça não consegue citar diretoria
Apesar de agências terem voltado a funcionar no interior, sindicalista diz que movimento não está enfraquecido
CARLOS MARTINS
Da Reportagem
Em greve há 18 dias, os bancários decidiram transferir para a próxima segunda-feira pela manhã a assembléia que era para ter sido realizada ontem à tarde na sede do sindicato, em Cuiabá. Dois oficiais de Justiça compareceram ao prédio do sindicato na rua Barão do Melgaço para citar o presidente Eduardo Alencar, mas tanto ele como outros diretores não estiveram na sede. Pelo menos um banco, o Banco da Amazônia, conseguiu liminar (ação de interdito proibitório) na Justiça para voltar a funcionar normalmente e a transferência da assembléia teria sido uma estratégia para evitar a citação, o que foi negado pelo presidente do sindicato. Se não formos citados hoje (ontem) à noite seremos na segunda-feira. Ocorre que na segunda-feira temos possibilidade de mobilizar mais a categoria para traçar estratégias de paralisação de agências. Além disso, já estaremos sabendo se o TST irá julgar o dissídio coletivo [A procuradoria do Trabalho iria entrar com o dissídio ontem à noite], disse Alencar. A assembléia está marcada para a partir das 7h30, em frente as agências do Bradesco e Caixa Econômica Federal, na Barão do Melgaço. Ontem no centro da cidade continuavam fechados os bancos estatais, como a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco da Amazônia (Basa) e os privados Unibanco, Sudameris, BIC, Rural e Mercantil do Brasil. O presidente do sindicato garantiu que estes bancos, de acordo com exigência da Justiça do Trabalho, mantêm 30% do quadro de funcionários de cada agência trabalhando para atender aposentados, além de serviços específicos como a compensação de cheques e serviço de auto-atendimento. Já os bancos Itaú, HSBC, Bradesco e ABN AMRO Bank (Real) conseguiram liminares e estão operando normalmente. O Basa também conseguiu na quarta-feira uma liminar para abrir as portas, mas até ontem o sindicato não havia sido notificado. De acordo com a decisão do juiz Sebastião de Moraes Filho, da 5ª Vara Cível, se houver o impedimento da entrada de pessoas no banco, o sindicato deverá arcar com uma multa diária de R$ 50 mil. De acordo com o gerente-regional do Basa em Mato Grosso, Paulo Henrique de Almeida, as agências do Basa de Guiratinga, Barra do Garças e Tangará da Serra conseguiram liminar e já estão funcionando. Na agência de Cáceres o atendimento está parcial. Anteontem a matriz do Basa em Belém (PA), já havia conseguido liminar permitindo a abertura das agências do banco. Para o presidente do Sindicato dos Bancários, o fato de vários bancos do interior terem voltado a funcionar não significa que o movimento esteja enfraquecendo. Se fosse o contrário, que em Cuiabá os bancos tivessem abrindo, aí sim. Mas no interior isso é compreensível, já que em muitas cidades o sindicato não está presente e a pressão é muito grande. Aqui na capital, embora exista pressão, o movimento está bem atuante, disse Eduardo Alencar. Enquanto a Executiva Nacional dos Bancários e a Federação Nacional das Associação de Bancos não chegam a uma decisão e não foi ajuizado o dissídio coletivo, o sindicato garante que o movimento grevista continua. Os bancários aceitaram reduzir o pedido de 25% para 19%, mas os banqueiros mantém a proposta de reajustar os salários em 8,5%.