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CIDADES
Terça-feira, 02 de Agosto de 2011, 21h:03

ENFERMAGEM

Justiça impede greve, que dura 12h

Período foi suficiente para que profissionais da área fizessem ‘barulho’ nas unidades de saúde por suas reivindicações. Menos 150 cirurgias

ALECY ALVES
Da Reportagem
Durou menos de 12 horas a greve dos enfermeiros e técnicos de enfermagem de hospitais privados e filantrópicos de Cuiabá, deflagrada ontem pela manhã. Entretanto, foi tempo suficiente para que os trabalhadores se fizessem notados nas ruas e portas das cinco grandes unidades hospitalares locais. Com faixas e cartazes em punho e usando nariz de palhaço, os grevistas chamaram a atenção nos hospitais. Na porta do Jardim Cuiabá, por exemplo, com a presença de mais de 250 enfermeiros e técnicos, a polícia teve de ser chamada para organizar o trânsito e evitar tumulto. Além disso, a greve provocou a suspensão de mais de 150 cirurgias, de urgência e eletivas, e inviabilizou os serviços de pronto-atendimento de vários hospitais, segundo o presidente do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem de Mato Grosso, Dejamir Soares. As manifestações prosseguiram em outras unidades, entre as quais a Amecor, Santa Casa e Hospital do Câncer. No início da tarde veio a notícia: os empresários do setor ingressaram com mandado de segurança na Justiça do Trabalho pedindo o fim da greve. De acordo com Soares, os donos de hospitais pediram o retorno imediato ao trabalho de 90% dos trabalhadores e não apenas os 30% regimentais mantidos durante a greve. A Justiça trabalhista acatou o pedido dos empresários, entretanto, a pedido dos enfermeiros e técnicos em enfermagem, agendou para a próxima sexta-feira, às 11h, uma reunião de conciliação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Soares explicou que decidiram pela greve dois meses depois de negociações que não avançaram. Os trabalhadores, cuja data-base salarial é 1º de julho, reivindicam 20% de reajuste, mas os donos de hospitais oferecem apenas 7%, ou seja, meio por cento acima da inflação oficial. A expectativa dos trabalhadores é que saiam do próximo encontro com um acordo que assegure aumento de pelo menos 14%. Um técnico de enfermagem ganha atualmente R$ 700 para uma carga de 180 horas de trabalho ao mês, ou seja, plantões de 12h por 36 horas de descanso. Pela mesma carga de trabalho o enfermeiro recebe R$ 1,4 mil. A assessoria de imprensa do Sindicato dos Estabelecimentos de Saúde de Mato Grosso (Sindesmat) informou que o presidente da entidade, empresário José Ricardo de Melo, decidiu se manifestar sobre a greve somente hoje pela manhã, em entrevista coletiva, na sede do sindicato.

Edição EDIÇÃO 16961




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