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CIDADES
Quarta-feira, 15 de Agosto de 2012, 21h:28

SAN MATÍAS

Justiça com as próprias mãos

Jefferson e Rafael foram tirados de um posto policial e levados à rua, onde foram queimados vivos por 700 bolivianos

ALECY ALVES e Clarice Diório
Da Reportagem
Dois mato-grossenses foram queimados vivos em San Matías, município boliviano que faz fronteira com Cáceres, a 225 quilômetros de Cuiabá. Eles são moradores do Jardim Eldorado, periferia de Várzea Grande. Padrasto e enteado foram acusados de matar três bolivianos e ferir outros dois. Depois da confusão, acabaram presos e levados para um posto policial, de onde foram arrastados para o linchamento. Rafael Max Dias, de 27 anos, e Jefferson Castro Lima, de 22 anos, conhecido como “Maninho”, agonizaram até a morte entre as labaredas e sob os olhares de uma multidão enfurecida. A população invadiu um posto policial e os empurrou para rua. Pelo menos 300 bolivianos teriam participado do ato bárbaro, praticado a poucos metros da unidade policial. Eles usaram gasolina para atear fogo nos mato-grossenses. As mortes aconteceram na noite de terça-feira (14), menos de 24 horas depois de Rafael e Jefferson terem matado a tiros Paulino Parabá Ramos, de 33 anos, Banderley Costas Parabá, de 27 anos, e Edgar Suárez Rojas, de 26 anos. No mesmo atentado foram feridos: Samuel Carajal Salvatierra, que está internado na UTI do Hospital Regional de Cáceres, e Sérgio Ramos Poñé, que, atingido no braço, teria recebido alta na tarde de ontem. O hospital se negou a passar informações detalhadas sobre as vítimas. Tanto “Maninho” como Rafael tem antecedentes criminais. Acusado de tráfico de drogas, Jefferson foi preso em Tangará da Serra em janeiro deste ano na companhia da namorada, Dorvalina Viviana da Silva. Na sentença relata que “Maninho” e a namorada foram pegos em flagrante preparando porções de cocaína para venda. Havia 33 gramas de droga, papelotes e outros apetrechos. Ele disse que a droga era para consumo próprio e que a namorada não sabia que era usuário. Apesar de ter sido condenado a cinco anos e cinco meses de prisão por tráfico, voltou às ruas sete meses depois. A pena de Dorvalina foi menor, quatro anos e três meses. Jefferson saiu da Cadeia Pública de Tangará da Serra há nove dias. Já Rafael, preso por homicídio, havia deixado a prisão no início de janeiro deste ano. Ele passou cinco anos e 10 meses na cadeia e estava em liberdade condicional, conforme os familiares. De acordo com informações divulgadas pela imprensa boliviana, eles foram a San Matías vender motos, supostamente roubadas, e estariam bebendo e comemorando o fechamento do negócio quando se desentenderam com um grupo de bolivianos. De acordo com uma emissora de televisão boliviana, cerca de 300 bolivianos participaram da invasão à unidade policial. Em seguida, a 150 metros de distância do posto policial, usando gasolina atearam nos dois rapazes. Na sexta-feira, a mãe de Jefferson, Maria Raimunda Coelho Castro, viajou para Tangará da Serra na companhia do marido, Rafael Max Dias, para encontrar o filho que havia deixado a prisão. Maria contou que permaneceu na companhia do filho até domingo, quando retornou sozinha para Várzea Grande. Maria Raimunda voltou pensando que o marido e o filho iriam trabalhar em uma fazenda, pois foi o que eles disseram. Ela diz que não sabia em que região do estado estavam. Já a doméstica Marilei Dias, mãe de Rafael, contou que esteve com o filho na sexta-feira e, a exemplo da nora, também não sabia da viagem.

Edição EDIÇÃO 16961




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