CIDADES
Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010, 21h:19
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CASO KAYTTO
Julgamento no dia 25
Edson Delfino, que violentou e matou o menino aos 10 anos, tem data para se sentar no banco dos réus e enfrentar júri
NATACHA WOGEL
Da Reportagem
O estuprador e assassino confesso do menino Kaytto Guilherme do Nascimento Pinto, aos 10 anos de idade, Edson Alves Delfino, será julgado pelos crimes no dia 25 de março, menos de um ano depois de ter consumado a violência. A data do julgamento popular, que vai acontecer no plenário do Tribunal do Júri da Capital, foi marcada na quinta-feira pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, a presidente. Os trabalhos começam às 8 horas. Edson Delfino está recluso na Penitenciária Central do Estado desde abril de 2009, quando foi capturado cinco dias após ter cometido os atos brutais contra o garoto. Já condenado por crime idêntico ocorrido em 1999, em Primavera do Leste, o pedreiro gozava de liberdade condicional quando abordou Kaytto. Um exame de sanidade mental solicitado pela defesa do réu-confesso atestou que o criminoso tinha plena consciência de suas atitudes quando violentou e matou o menino. O exame de sanidade foi baseado em duas entrevistas com o réu, com tias dele, com o irmão mais velho e em exames laboratoriais, como eletroencefalograma e tomografia. Os familiares afirmaram ter sido uma surpresa o segundo assassinato de Delfino. Os peritos Zanizor Rodrigues e Jonas Valença concluíram que apesar de os delitos serem crimes de impulso, foram efetuados com prévia maquinação, em ambiente planejado e havia por parte de Delfino condições de refletir, julgar e optar voluntariamente sobre seus atos, inclusive sobre suas consequências legais. Os exames não detectaram transtornos mentais. Contudo, a psicóloga Izilanda Souza sugeriu que o réu seja submetido a tratamento com grupos de apoio, para prevenir possível reincidência. Nas entrevistas, Delfino reforçou que possui distúrbios. Ele usou drogas na adolescência. Eu não tenho controle. Posso fazer de novo, é um pensamento que toma conta de mim, declarou o maníaco. Não adianta me colocar no presídio sem tratamento. Mesmo na cadeia os impulsos vêm e vai (sic), disse aos médicos. Em novembro passado, Delfino foi acusado de estuprar um companheiro de cela no presídio, um outro pedófilo, preso por abusar de uma criança de 7 anos. O caso foi parar na delegacia e o algoz de Kaytto já responde processo pelo crime. MOBILIZAÇÃO - O crime contra Kaytto chocou a opinião pública em Mato Grosso e no país, além de mobilizar entidades da sociedade civil organizada a cobrar mudanças do poder público no tratamento de casos de violência contra crianças e adolescentes. A partir do fato, foi implantada a CPI da Pedofilia, pela Câmara Municipal de Cuiabá. A assessora da CPI, Dilma Camargo, comemorou a celeridade com que rolou o processo judicial, culminando no julgamento de Delfino. Porém, lembrou, como representante de uma entidade que luta pelo combate da violência contra menores, que o Judiciário deveria agir da mesma forma com todos os casos desse tipo. São inúmeros os casos que se arrastam na Justiça. Por isso, é preciso com urgência a criação da vara especializada em violência sexual contra crianças e adolescentes, cobrou, lembrando que o Judiciário anunciou, no ano passado, que implantaria o setor. Ainda não temos uma resposta definitiva sobre essa vara, completou. A partir da brutal experiência com o caso de Kaytto, a equipe que compõe a CPI e o Comitê Municipal de Enfrentamento ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes lançará um filme de curta-metragem para ser apresentado nas escolas e mostrar aos menores como fazer para sair do anonimato quando vítimas de abusos.