CIDADES
Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008, 20h:58
A
A
BRUTALIDADE
Jovem é morto a golpe de foice porque pediu bola
Weslei foi ao vizinho, em Jauru, para que devolvesse bola de vôlei e acabou morto
DANA CAMPOS
Da Reportagem
Vítima de uma atitude brutal, possivelmente por um motivo fútil, um rapaz de 19 anos foi morto no sábado após ser golpeado três vezes com uma foice por um morador da cidade de Jauru (463 quilômetros de Cuiabá). O jovem Weslei Thiago Pereira Leite morava no Espírito Santo e foi assassinado na cidade mato-grossense após ter pedido para que o acusado, Juraci Henrique da Costa, de aproximadamente 40 anos, devolvesse uma bola que havia caído no quintal de sua casa. O crime ocorreu por volta das 16h30 e chocou a cidade. Conforme o promotor Marcelo Lucindo Araújo, Weslei estava junto com um grupo de jovens, com idades entre 13 e 19 anos, que estava jogando vôlei na rua em que Juraci mora. A bola chegou a cair algumas vezes dentro da residência do acusado. Numa dessas, Juraci resolveu não devolvê-la. A partir daí, revelou o promotor, os jovens começaram a insistir para que o homem devolvesse a bola. Por ser um garoto sem malícia, ele (Weslei) acabou sendo morto, afirmou Araújo. De acordo com o promotor, o acusado chegou perto da vítima em posse de uma foice e o atingiu na garganta. Testemunhas disseram que a arma ficou presa no pescoço dele, e que, mesmo assim, ele (Juraci) ainda aplicou mais outros dois golpes na mesma região do corpo do jovem, disse Araújo. Abalada com a tragédia, a mãe de Weslei, a funcionária pública Jordelina Pereira Leite, de 44 anos, que também mora no Espírito Santo, chegou em Jauru já no velório do filho. Segundo o promotor, pelo fato de ela ter problemas no coração, os familiares disseram a ela, por telefone, que o rapaz estava internado em um hospital e que passaria por uma transfusão. Conforme a mãe, os amigos ainda estão traumatizados com o crime, mas conseguiram contar que o acusado pediu para a vítima sentar numa cadeira que estava na porta da casa dele. Não sei se ele fingiu que iria chamar a polícia ou que devolveria a bola. Mas só sei que os meninos disseram que quando ele saiu de dentro da casa, ele já estava armado e atingiu meu filho, que morreu no primeiro golpe, descreveu. A mãe também disse que o filho nasceu em Jauru e que estava na cidade desde terça-feira anterior ao fato para visitar os familiares paternos e maternos, mas também para regularizar a situação da paternidade, pois não tinha o nome do pai no registro. No sábado, acontece essa tragédia, desabafou. Conforme Jordelina, toda a cidade está chocada com a crueldade e frieza de Juraci. De acordo com o promotor, até mesmo os presos da cidade estão revoltados com o crime. Tanto é que depois que ele se apresentou à polícia, tivemos que mantê-lo numa cela isolada, explicou Araújo, informando que o acusado, depois de ter matado o músico, fugiu da cidade. Ele ficou dois dias foragido. Mas assim que soube do decreto de prisão, ele se apresentou, disse. O promotor disse que o inquérito deverá ser concluído em dez dias. E que após a apresentação do processo ao MPE, ele oferecerá denúncia contra Juraci por homicídio qualificado, por motivo fútil e meio cruel.