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CIDADES
Sábado, 25 de Agosto de 2012, 13h:07

José Burdelake

Chegamos até o picolezeiro José Burdelake, 59 anos, por meio de um vendedor de frutas. Ele gostou do projeto e logo viu na história do amigo uma boa oferta. A princípio, ele foi relutante, mas sem perceber ofereceu todas as informações. O melhor é que após receber R$1, ofereceu picolé gratuitamente a equipe. “Já faz 22 anos que eu me divorciei. Antes, eu tinha um patrimônio, agora, eu vendo picolé, mas não precisava vender. Também não estou triste com a função, vendo alegre e contente. Eu tenho estudo, a minha mãe morreu e queria que eu fosse vigário. Fui por 14 anos e no período formei em teologia e filosofia. Dentro da área comercial eu também não posso reclamar, porque aonde fui, consegui o que eu queira. Eu tenho 37 anos de Cuiabá e já trabalhei em uma rede de supermercados, na qual cheguei à gerência. Teve uma época que eu fiquei sem emprego e passava procurando de manhã e não tinha nada, a tarde não tinha nada. Até que um dia, vi escrito no vidro de uma empresa: ‘precisa-se de 30 marrueiros’. Nome bonito, não é? ‘Marrueiro’ é palavra bonita. Aí eu quis saber o que era marrueiro. O camarada falou assim: ‘é pra quebrar pedra pra fazer calçamento’. Eu não ia fazer isto, porque eu não sei, mas para fazer palhaçada eu ergui as mãos para o céu e gritei: ‘cumpra-se a profecia!’. A dona perguntou o motivo do cumpra-se a profecia, e eu expliquei que quando eu me separei minha ex-mulher falou assim: ‘eu quero ver você quebrando pedra’. Quando me viram vendendo picolé aqui, eles disseram que eu tinha condições de fazer coisa melhor. Eu sei que eu tenho condições, mas no momento um carrinho de picolé é tudo que me resta. Já dizia meu velho pai, tudo o que você for fazer na vida, faça o seu melhor. Seja vendendo picolé, sendo gari, engraxate, o que for. Eu tenho os meu filhos e deixei pra eles no divórcio tudo o que eu tinha para minha ex-mulher não me procurar em busca de pensão alimentícia. Já estou deixando a fonte de renda, não é? Meus filhos nem sonham que eu vendo picolé aqui há sete anos”. #LINK#416248#Conte sua história por R$1 #LINK#416250#Siberino Santino Calixto #LINK#416251#Reginaldo Bonifácio da Silva

Edição EDIÇÃO 16967




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