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CIDADES
Segunda-feira, 28 de Abril de 2008, 21h:16

CRIME ORGANIZADO

João Arcanjo vai a júri

Pronunciado pelo duplo homicídio de empresários em Cuiabá, bicheiro recebe 3ª decisão de julgamento popular

ALINE CHAGAS
Da Reportagem
O juiz da 13ª Vara Criminal de Cuiabá, Adilson Polegato de Freitas, decidiu que o bicheiro João Arcanjo Ribeiro e os ex-policiais militares Célio Alves e Hércules Agostinho devem enfrentar o júri popular pelo duplo assassinato dos empresários Fauze Rachid Jaudy e Rivelino Brunini e a tentativa de homicídio contra o mecânico Gisleno Fernandes, crimes cometidos em 2002. Esta é a terceira decisão para que Arcanjo enfrente o Tribunal do Júri por crime de homicídio. Também foram pronunciados pelo fato o ex-coronel da PM Frederico Lepesteur – morto em setembro de 2007, em decorrência de um câncer – e o gerente de factoring uruguaio Júlio Bachs Mayada. Os assassinatos ocorreram em plena luz do dia, na avenida do CPA. Os cinco incriminados já haviam sido pronunciados pelo mesmo crime pelo juiz federal César Augusto Bearsi, mas a decisão foi anulada em 2005, pelo fato da Justiça Federal não julgar crimes contra a vida. Em 2006, o processo começou a tramitar na Justiça de Mato Grosso. Conforme a denúncia, Brunini era um dos consorciados do esquema de exploração das máquinas caça-níqueis de João Arcanjo e teria sido colocado de lado na organização porque o comportamento não agradava os chefes. Durante as investigações, a polícia descobriu que a organização teria “encomendado” a morte de Brunini, porque ele estava atrapalhando os negócios e o grupo temia que ele delatasse à Justiça o esquema de exploração do jogo em Mato Grosso. Para cometer o assassinato, João Arcanjo Ribeiro teria contratado Célio Alves e Hércules, por intermédio de Lepesteur. Ele e Júlio Mayada teriam ficado próximos ao local do crime para dar suporte à fuga dos pistoleiros. No decorrer do processo, Hércules confessou em depoimento à Justiça que realmente cometeu o assassinato, com ajuda de Célio Alves, por encomenda de Arcanjo. No depoimento, Hércules afirmou que Célio teria seguido Brunini por mais de uma semana, estudando seus hábitos. Segundo a investigação, o alvo da organização seria Brunini. Jaudy e Gisleno foram atingidos apenas porque estavam com ele. Na pronúncia, o juiz da 13ª Vara Criminal de Cuiabá coloca que, do conjunto de provas juntadas aos autos, “extrai-se evidências de que a presente organização criminosa constitui-se uma das mais perigosas do País”. Ainda na pronúncia, Polegato diz que “o crime organizado já provoca horror por seguir regras próprias, violentas e absolutas, completamente apartadas das vigentes num Estado Democrático de Direito. Assemelha-se à Máfia Italiana. Vive à margem do Estado. Tem sua própria ‘justiça’. Exerça controle de territórios e influência social. Tratam seus desafetos com violência inimaginável”. Arcanjo, Célio Alves e Hércules Agostinho estão presos em Campo Grande (MS), no presídio federal. Mayada responde ao processo em liberdade. Arcanjo já foi pronunciado pelo mando do triplo homicídio de Leandro Gomes dos Santos, Celso Borges e Mauro Celso Ventura de Moraes, crimes ocorridos em Várzea Grande, e pelo assassinato do empresário Sávio Brandão. No entanto, ainda não enfrentou o Tribunal do Júri devido aos recursos impetrados por sua defesa

Edição EDIÇÃO 16960




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