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CIDADES
Terça-feira, 04 de Novembro de 2008, 20h:51

GREVE

Investigadores recuam

Em assembléia, servidores decidiram aceitar proposta do governo de elevar para R$ 1,7 mil o piso salarial

ALEXANDRE APRÁ
Especial para o Diário
Os investigadores da Polícia Civil de Mato Grosso decidiram voltar ao trabalho depois de duas reuniões com representantes do governo do Estado. A paralisação, que durou cinco dias, foi suspensa depois que o governo propôs o reajuste do piso salarial dos policiais para R$ 1,7 mil, a partir de dezembro. Hoje, o piso dos policiais é de R$ 1.485. Apesar de o valor acertado ser apenas R$ 81 superior à proposta anterior do governo, que era de R$ 1.619, o presidente do Sindicato dos Agentes Prisionais e Investigadores da Polícia Civil de Mato Grosso (Siagespoc), Clédson Gonçalves, considerou o movimento como positivo. “O governo dizia que não ia ceder nada e acabou reconhecendo a necessidade da categoria”, avaliou. Clédson explicou que o principal motivo da aceitação desse valor foi pelo recebimento da Bolsa Formação, custeada pelo governo federal. Segundo o sindicalista, o subsídio de R$ 400 é custeado pela União a todo policial civil brasileiro que recebe até R$ 1,7 mil. “Então, podíamos exigir um valor maior, mas que ia prejudicar os investigadores da “classe A” (com menos tempo de serviço) que deixariam de receber esse benefício”, disse. A proposta firmada entre o Sindicato e o governo e mediada pelo secretário-chefe da Casa Civil, Eumar Novacki, também prevê acréscimos de 10% nos próximos dois anos e 15%, daqui três anos. Com as mudanças, em 2011, o piso dos policiais chegaria a R$ 2,3 mil. Também participaram da reunião o secretário de Administração, Geraldo de Vitto, de Justiça e Segurança Pública, Diógenes Curado, e o diretor-geral da Polícia Civil, Lindomar Costa. “Nós entendemos que toda a paralisação nos desgastou, prejudicou a sociedade. Mas, precisamos, cada vez mais, externar à população o caos da Segurança Pública em Mato Grosso”, desabafou Clédson, afirmando que mesmo depois do fim da greve acha que o governo estadual trata a questão da segurança pública com descaso. Depois do encontro, os investigadores se reuniram em assembléia geral na sede do Siagespoc e a maioria decidiu aceitar a proposta. Os coordenadores de pólo do interior também foram informados sobre as negociações e também se mostraram favoráveis às mudanças. Durante os cinco dias de paralisação, os trabalhos de investigação de inquéritos policiais ficaram seriamente comprometidos nas delegacias e Ciscs de Cuiabá e Várzea Grande. Apenas escrivães e delegados trabalhavam na solução dos crimes. Os registros de boletins de ocorrência e lavraturas de flagrantes estavam sendo realizados pelos policiais aprovados no último concurso e que ainda estão cursando a academia. Mesmo assim, em alguns horários, os registros não estavam sendo feitos. Na sexta-feira, o governo acionou a Justiça, que decretou a greve como ilegal. O governador Blairo Maggi justificou que havia apresentado uma proposta dentro das possibilidades econômicas do Estado.

Edição EDIÇÃO 16961




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