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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 10 de Janeiro de 2026, 10h:40

COMUNICAÇÃO EM LIBRAS – 2

Interpretar aula na língua de sinais ensina alunos ouvintes

“Todos deveriam aprender libras”, diz servidora apaixonada por línguas e que atua em escola

ALECY ALVES
Da Reportagem
Divulgação
A servidora pública Vanessa Silva, 32, defende a divulgação e ampliação do acesso à formação da língua de sinais à população ouvinte em geral

Intérprete em escola de Cuiabá, Yandra Regina Cabral de Moraes Rondon, 26, não tem dúvida de que o acesso ao ensino regular em libras é uma das principais formas de inclusão social da população surda.

“Todas as crianças aprendem a língua de sinais, enquanto interpretamos a aula para o aluno surdo”, reforça ela.

Yandra atua há cinco anos como intérprete em escolas públicas.

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Até ano passado, em uma escola estadual no município de Poconé (104 km ao Sul de Cuiabá), era intérprete de uma adolescente surda de baixa visão.

Apaixonada pelo que faz, Yandra descreve com um misto de orgulho e preocupação o trabalho que desenvolveu com a estudante poconeana.

“É uma aluna dedicada, empenhada em aprender, mas, além da deficiência auditiva, ela enxerga pouco”, diz.

“Então, foi um  grande desafio, porém gratificante, trabalhar com ela”, revela Yandra.

Neste ano, em Cuiabá, ela é intérprete na Escola Municipal Coronel Octayde Jorge, no bairro Tancredo Neves, e atende um estudante de 9 anos.

Diulgação

Suros - Yandra

Yandra Rondon atua há cinco anos como intérprete em escolas públicas.

Assim como na escola anterior, conta que os demais alunos da sala sempre querem ajudar o colega surdo.

Conforme a intérprete, muitos alunos ouvintes prestam atenção nos sinais e fazem perguntas para esclarecer dúvidas.

“As crianças se interessam em aprender e aprendem com mais facilidade.

Elas não têm preconceito e aprendem a se relacionar melhor com o colega”, atesta ela

.Por iniciativa própria, há sete anos, Yandra procurou o Centro de Apoio e Suporte à Inclusão da Educação Especial (Casies), da Secretaria de Estado de Educação, e começou a estudar a língua de sinais.

Desde então, fez diversos cursos que, somados, totalizaram dois anos de formação.

Depois, se submeteu ao “atesta”, a prova que a habilitou como intérprete.

Aprovada nesse exame, Yandra pode atuar como intérprete em sala de aula, como faz, órgãos públicos e privados.

Como não é habilitada ao magistério, ela exerce a função como nível médio.

Ela tem contrato de trabalho temporário de um ano, firmado por meio de processo seletivo.

Se quiser permanecer na função, precisa fazer nova prova e, aprovada, renovar o contrato por mais um ano.

A carga diária de trabalho dela é de 30 horas semanais para um salário de R$ 2,7 mil

A servidora pública Vanessa Silva, 32, defende a divulgação e ampliação do acesso à formação da língua de sinais à população ouvinte em geral.

Vanessa acaba de fazer seu segundo curso técnico de formação em libras.

Ela não tem nenhum parente ou colega de trabalho surdo, mas acredita que, ao aprender a língua de sinais, pode contribuir com a inclusão do surdo.

Vanessa já viveu experiências que comprovam a importância do conhecimento em libras.

Uma delas, conta Vanessa, em um ponto de ônibus do transporte coletivo.

“Quando cheguei para aguardar o ônibus, parei na frente de um senhor. Minutos depois, senti o braço dele tocar meu ombro de uma forma que considerei agressiva”, narra.

“Ao me virar, percebi que era uma pessoa surda. O homem se comunicou comigo na língua de sinais, para me fazer entender que eu estava atrapalhando a visão dele”, conta.

Sorrindo, Vanessa pediu desculpas em sinais, fazendo-o entender que ela também conhece de libras.

Esse pequeno diálogo, conta, foi suficiente para emendarem a conversa e ela acabou ajudando-o com outras informações.

O senhor, segundo ela, reclamou das dificuldades que enfrenta no dia a dia para acessar serviços básicos em Saúde. Como, por exemplo, por falta de intérpretes. 

Em casa, a servidora está ensinando as filhas Geovanna, 13, e Alana, de 9 anos.

Para Alana, aprender com a mãe ajudou a se comunicar com o colega surdo, que neste ano começou a estudar na sala dela.

Vanessa se considera uma apaixonada e tem facilidade para aprender outros idiomas 

Além do português, ela está estudando libras, inglês e espanhol.

Todos esses idiomas, começou a estudar sozinha, por vídeos na internet e livros.No caso da língua de sinais, na opinião dela, deveria ser obrigatória para todos os estudantes do ensino fundamental.

Em Mato Grosso, a população de surdo está estimada em 150 mil pessoas, sendo que 21 mil vivem em Cuiabá.


Edição EDIÇÃO 16961




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