CIDADES
Sábado, 20 de Julho de 2013, 13h:16
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FLANELINHAS
Interdições loteadas
Espaços fechados devido às obras foram tomados por guardadores de carro, principalmente nos arredores da Fernando Corrêa
NÁGERA DOURADO
Da Reportagem
Clientes do Banco do Brasil e do comércio na avenida Fernando Correa estão utilizando o trecho interditado da via para as obras do VLT como estacionamento. O espaço já foi loteado pelos flanelinhas. A ação divide opiniões e levanta o debate sobre problemas sociais, de segurança e do trânsito. Segundo o gerente do banco Sandro Pacheco, inicialmente havia cones que impediam o estacionamento dos veículos no local, mas com o tempo eles foram retirados pelos próprios motoristas. Para Pacheco, o espaço causa transtorno porque muitos automóveis realizam um movimento de retorno para utilizar o espaço. Segundo ele, os agentes de trânsito que atuam no outro lado da via não se incomodam com a situação e segundo comerciantes próximos, eles também utilizam o estacionamento improvisado. Enquanto há a ausência de um agente oficial na área, o flanelinha Everaldo Camargo, de 38 anos, enxerga uma oportunidade. Ele se considera um amarelinho, por passar o dia todo auxiliando na entrada e saída dos veículos. A renda mensal do ex-jardineiro é por volta de R$ 1,5 mil mensais, trabalhando no ponto de segunda a sexta. Apesar da remuneração, Camargo atua com roupas sujas e rasgadas e aparência desgastada. Segundo o capitão da 4ª Companhia de Polícia Comunitária do Bairro Boa Esperança, Marcos Antonio de Amorim, a maioria dos flanelinhas da região tem passagem pela polícia, são dependentes químicos e utilizam as gorjetas para sustentar o vício das drogas. Apesar da polícia atuar com rondas e abordagens solidárias, encaminhando os flanelinhas aos órgãos de assistência social, Amorim alerta que a principal responsabilidade da permanência deles na área é das pessoas que dão o dinheiro. Segundo o capitão, todos os flanelinhas da região já foram abordados por furtos ou cobranças indevidas em relação aos estacionamentos, mas devido à demanda de público continuam no local. Local Regular Na região, há um estacionamento legalizado, ao lado do banco. O gerente do estacionamento, Ailon Santana, alega que o uso do espaço reduziu 80% após a instalação dos flanelinhas, resultando na demissão de funcionários. A empresa atua no local há oito anos e o gerente reclama da atitude dos motoristas em confiar os bens aos flanelinhas, ao invés de desembolsar R$ 2 em um local que garante segurança. O casal de aposentados Maria e José Pereira preferiram guardar o carro no espaço regular. Segundo eles, estacionar em frente ao banco é como guardar o carro na rua, não oferecendo segurança nenhuma. O técnico em telecomunicações, Airton do Prado, já teve o carro riscado por um flanelinha ao recusar dar a gorjeta. A polícia destaca que a cobrança é irregular e deve ser comunicada ao órgão pelo telefone 190. Responsabilidade Sobre a retirada dos cones e fiscalização das áreas interditadas pelas obras, a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) não se pronunciou. Já a Secretaria Municipal de Transportes Urbanos de Cuiabá, a ação é legítima, visto que não há proibição quanto a estacionamentos nas ruas. A assessoria compara a ação com o ato de estacionar em becos sem saída, onde não há movimentação de veículos.