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Sexta-feira, 10 de Julho de 2015, 20h:01

SAÚDE

Inspeção do CRM reprova pronto-socorro

Inspeção realizada pelo CRM e Ministério Público mostrou o que já se sabe há muito: o atual pronto-socorro não suporta mais a demanda

Rodivaldo Ribeiro
Da Reportagem
Cuiabá precisaria construir no mínimo dois outros prontos-socorros só para amenizar a situação da saúde pública da população, disse nesta sexta-feira (10), durante coletiva, o presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), Gabriel Felsky dos Anjos. O CRM comandou fiscalizações no Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá, junto com o promotor público Sergio Silva da Costa, do Ministério Público Estadual (MPE), nos dias 17 de junho e 07 de julho, e as duas entidades constataram o de sempre quando o assunto é atendimento médico oferecido à população mais carente via Sistema Único de Saúde (SUS) -- caos, sofrimento, falta de insumos básicos, inexistência de leitos adequados (e inadequados também) e com doentes nos corredores do velho hospital de urgência e emergência. “Parece que você está num hospital de guerra, num hospital da África. Tem gente internada em cadeiras e macas velhas. Cuiabá não tem suprido sua demanda e acredito que até dois prontos-socorros não serão suficientes, porque a demanda do novo pronto-socorro é da década passada”, disse aos jornalistas o representante do CRM. Cuiabá precisa de mais leitos, continuou Felsky dos Anjos, e o Hospital São Benedito seria um escape para um grande número de pacientes, mas assim que ele for aberto, essa demanda já estará ocupada. “Seria ótimo que o novo PSM funcionasse, e esperamos que ele funcione de maneira adequada, não igual a este antigo. E não dá para esperar, o PSM deveria ficar pronto imediatamente, para ontem”. A situação do atual pronto-socorro, aliás, não poderia ficar como está nem mais um dia, disse o presidente do CRM, “pois as obras do setor de pediatria já foram pagas e deveriam ter sido entregues em agosto do ano passado, mas não foram”, continuou Felsky. Sobre o relatório formulado por CRM e MPE, coisas como a sala vermelha, onde são recepcionados os casos de urgência e emergência, recebendo pelo menos 20 pessoas para triagem de atendimento ou transferência para unidades de terapia intensiva (UTI), sendo que o local foi projetado para acomodar oito pacientes. “Praticamente todos os corredores estão ocupados com gente doente ou ferida. Na sala de trauma são pelo menos mais 30 pessoas internadas”, destacou Felsky. O promotor público Silva da Costa afirmou que a vistoria vai servir como “ferramenta” para que o MPE possa exigir que o gestor cumpra seu dever. “O governo do Estado tem obrigação de aportar recursos para o Pronto-Socorro, pois grande parte dos internados é oriunda do interior”, disse. OUTRO LADO -- Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde informou, por meio de assessoria de imprensa, que não iria se pronunciar sobre o assunto.

Edição EDIÇÃO 16965




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