CIDADES
Sexta-feira, 29 de Junho de 2007, 20h:28
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EXPLORAÇÃO SEXUAL
Inquérito será encerrado com 3 indiciados
ADILSON ROSA
Da Reportagem
A delegada Liliane Murata pretende encerrar na próxima semana o inquérito de exploração sexual infanto-juvenil envolvendo o casal Jocelma Barbosa dos Santos, de 33 anos, e Ronildo Rojas Moreira, de 48 anos, que prostituía até as próprias filhas. Ela ainda quer ouvir algumas testemunhas antes de encaminhar o caso para a 2ª Vara Especializada da Violência Doméstica e Familiar da Capital, com o indiciamento da dupla e do taxista Cláudio Martins Colmam, também envolvido no esquema. O inquérito sobre o tráfico de drogas, no entanto, será encaminhado para a Delegacia do Complexo do Coxipó. Não tínhamos estrutura para investigar os dois crimes ao mesmo tempo e tivemos que priorizar a questão da exploração sexual. Quanto ao tráfico de drogas que aparece nas denúncias, vamos encaminhá-lo para a delegacia da área, informou. O casal é acusado de explorar sexualmente pelo menos nove garotas, sendo que três delas, meninas de 10, 13 e 15 anos, são filhas de Jocelma e Ronildo. Eles perderam a guarda dos filhos, com idades entre um e 16 anos, após denúncia do Conselho Tutelar da Criança. A delegada explicou que a menina de 10 anos, filha do casal, foi submetida a uma intervenção cirúrgica para curar a doença venérea que havia contraído. Jocelma alegou para a delegada que a filha dormia com a cachorra, o que a levou a acreditar que foi o animal quem passou a doença à menina - ela negou que ela se prostituía. Os vizinhos, no entanto, contam uma versão diferente. Disseram que a menina também fazia programas sexuais. O tráfico de drogas que aparece junto com a exploração sexual surgiu a partir da denúncia de uma garota de 14 anos, que disse ter sido aliciada pelo casal. Segundo ela, a droga vinha de Rondonópolis (a 210 quilômetros da Capital) para o bairro Pedra 90. A garota, ouvida por policiais civis, relatou que viajou várias vezes de Van para trazer droga escondida na vagina. Caso algum policial revistasse a Van, não encontraria a droga. Traficantes conhecidos de Jocelma eram os fornecedores, segundo relato da menina. A garota acrescentou que um Gol branco seguia a Van sempre que ela chegava a Rondonópolis. Numa das viagens, chegou à noite e voltou no dia seguinte. Assim que chegava a Cuiabá, ela repassava a pasta-base para Jocelma. Policiais chefiados pelo delegado Paulo Alberto Araújo fizeram o trajeto com a adolescente e mais duas conselheiras do Conselho Tutelar de Cuiabá. Eles passaram próximos dos locais indicados pela garota onde a droga era fornecida. O carregamento era usado para abastecer as bocas-de-fumo do Pedra 90. A pasta-base era encomendada por traficantes do bairro que recebiam remessas semanais.