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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 29 de Março de 2008, 15h:01

FUGA DO MARCOLA

Inquérito rumo ao arquivo

Inércia policial fará com que facilitação para que chefe do PCC deixasse Carumbé fique impune após 9 anos

KEITY ROMA
Da Reportagem
A inércia total de um inquérito policial, paralisado por seis anos, fará com que fiquem impunes os responsáveis pela fuga do líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Herbas Camacho, o famoso “Marcola”, do presídio do Carumbé. O fato ocorreu em abril de 1999. Marcola foi preso após roubar R$ 6 milhões da agência central do Banco do Brasil de Cuiabá e, ainda, realizar um seqüestro. Cerca de um mês depois que foi detido em Rondônia, com dois comparsas, e recambiado para Mato Grosso, Marcola e os outros dois conseguiram sair do Carumbé pela porta da frente, no dia 5 de junho do mesmo ano. Os indícios apontaram que a facilitação da fuga custou R$ 400 mil aos criminosos e que envolveu agentes carcerários, policiais militares e até mesmo a direção da unidade prisional à época dos fatos. Mesmo com a confissão de um dos carcereiros que estavam de plantão no dia da fuga, nove anos não foram suficientes para a finalização do inquérito policial pela Gerência de Repressão a Seqüestros e Investigações Especiais (Gresie). Com o decurso do prazo, o crime de facilitação de fuga prescreveu no dia 5 de junho do ano passado e a promotora de justiça Ana Cristina Bardusco solicitou à 15ª Vara Criminal o arquivamento do documento. O Inquérito Policial Militar (IPM), anexado ao inquérito civil, concluiu que a fuga seria impossível sem o envolvimento dos funcionários públicos. Os três criminosos saíram de madrugada, por volta de 4h20, durante uma misteriosa queda de energia, que durou três minutos e afetou apenas os holofotes do pátio do presídio. Para despistar os investigadores, duas “marias-terezas” - cordas de feitas de lençol - foram deixadas no muro dos fundos da unidade (ver matéria). “A fuga não seria possível sem a conivência da guarda externa do presídio. Três detentos não conseguiriam sair de duas celas diferentes, pular dois muros, utilizando apenas duas marias-terezas, num lapso de tempo de três minutos”, apontou o IPM. Os nomes de 16 policiais militares que trabalhavam no Carumbé no dia do fato foram citados no documento, mas como o crime de facilitação de fuga deve ser investigado pela Justiça comum, nenhum deles sofreu sanções. Todos prestaram depoimento e negaram participação, assim como fizeram, a princípio, os agentes prisionais. Contudo, o homicida Reinaldo Ribeiro, que era companheiro de cela do fugitivo Jefferson Nunes de Andrade, relatou que o colega custeava drogas e outros gastos dos detentos, e que momentos antes de fugir, foi retirado da cela pelo agente prisional Pedro Gonçalves de Araújo. Após a acusação, Pedro admitiu que recebeu R$ 15 mil para a facilitação e continuou respondendo em liberdade. Porém, Pedro falou que não foi até a cela, mas que acordou durante a madrugada e viu o chefe de equipe dos carcereiros, Daniel Guimarães Caldas, conduzindo os três fugitivos para onde estava um policial do corpo da guarda, fortemente armado, que os colocou para fora da unidade prisional. Um Corcel II teria apanhado os três assaltantes, Marcola, Jefferson e Gerson Cândido da Cruz. O alarde da fuga foi dado apenas às 6 horas da manhã pelos carcereiros. O inquérito civil foi instaurado em 8 de junho de 1999, passou pelas mãos de mais de cinco delegados e nunca foi concluído. Entre 2002 e 2008 não há trâmites registrados nele, o que mostra que ficou absolutamente parado. Segundo a Promotoria de Justiça, para elucidar os fatos bastariam diligências, como transferência de sigilo bancário, mas as investigações se ativeram a reunião de provas testemunhais. O delegado gerente da Gresie, Luciano Inácio, disse que a situação é reflexo da sobrecarga e que, na época, o MPE poderia ter se manifestado. Incomodado, o último delegado a pegar o inquérito, em 2008, Gerson Pereira, não quis se manifestar.

Edição EDIÇÃO 16966




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