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CIDADES
Sexta-feira, 20 de Abril de 2012, 21h:47

ÁGUA

Ineficiência compromete o abastecimento

Por causa de um sistema ineficiente, moradores de bairro de periferia de Cuiabá sofrem com a falta d’água

RODRIGO VARGAS
Da Reportagem
Depois que se mudou para o bairro Jardim Presidente II, há quase um ano e meio, a família do estudante Rubens Souza Miranda, 18, se viu forçada a adotar um curioso hábito: estocar a água da chuva. "A gente já ficou sete dias sem receber água da rua. Quando vem, é tão fraca que não sobe na caixa d’água. O jeito, então, é tentar acumular água da chuva para pelo menos tomar banho", relata. Quando a chuva teima em não cair, adultos e crianças da casa vão até um posto de combustível na entrada do bairro para usar os chuveiros públicos do local. Moradora do bairro há 22 anos, Maria Osmarina Ferreira Pereira, 56, diz que a situação sempre ocorreu, mas avalia que o cenário se agravou nos últimos anos. “Às vezes tenho que comprar comida pronta, por falta de água para cozinhar. Ontem à noite veio. Deu para lavar algumas peças de roupa, mas tão pouquinho que não chegou nem a encher a caixa”, relata. Tempos atrás, conta a moradora, caminhões-pipa da Sanecap faziam entregas emergenciais para amenizar as falhas do sistema. O serviço, porém, já não funciona mais como antes. “Já faz mais de duas semanas que o meu marido pediu um caminhão e até hoje nada chegou. Na semana passada, usamos água mineral para tomar banho”, diz. A comerciante Marly Nascimento Sobrinho, 55, tem que trabalhar dobrado para manter seu bar em condições de funcionar. ”Sem água, isso aqui fica uma sujeira, uma nojeira. Então arranjei um tambor e vamos enchendo com água que pegamos num poço”. A rotina vivida por estes moradores não é uma raridade em Cuiabá. Embora os dados oficiais indiquem que 99% dos consumidores da área urbana são atendidos por redes de distribuição, mais da metade deles não recebe água todos os dias. Segundo o Plano Municipal de Saneamento Básico, levantamento concluído pela Prefeitura em junho do ano passado, os únicos bairros que não participam do “rodízio de abastecimento” são o Centro e o Porto. “A situação de abastecimento é bastante agravada no período de estiagem, quando alguns bairros da periferia chegam a ficar sem abastecimento por dois ou três dias consecutivos”, diz o relatório, em um trecho. A estiagem não é o único problema. Com 2.800 quilômetros de tubulações, a rede de distribuição de Cuiabá opera com um índice de perdas superior a 60% - ou seja, de cada 10 litros de água tratada lançada na rede, seis se perdem no caminho. Na saída do Jardim Presidente II, bem próximo às casas dos moradores citados nesta reportagem, o Diário encontrou uma unidade de pressurização da Sanecap (chamada de “booster”) funcionando com diversos pontos de vazamento. A grande quantidade de água que era desperdiçada ali seria muito bem-vinda nas casas de Rubens e Maria Osmarina e no comércio de Marly. Na sexta-feira, até a conclusão desta edição, a perspectiva para todos eles era de um final de semana sem nada nas torneiras.

Edição EDIÇÃO 16967




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