Um grupo de índios da aldeia Pykabanã ocupa desde o início da noite de quarta-feira (09), a Delegacia da Polícia Civil de Peixoto do Azevedo, na tentativa de conseguir a soltura de quatro detentos da mesma aldeia. Os presos foram levados para a delegacia pela Polícia Militar (PM) de Matupá, sob acusação de porte ilegal de arma de fogo. Ficou determinado o pagamento de uma fiança no valor R$ 2.488, que os envolvidos se negaram a pagar. Apenas uma decisão do juiz Tiago Souza de Abreu pode liberar os quatro presos sem pagamento da fiança. A prisão dos índios armados ocorreu durante uma operação da PM de Matupá, na manhã de quarta-feira (09). O grupo foi preso em flagrante, portando cinco espingardas, um revólver calibre 38 e muita munição. O armamento estava em posse da família do índio Antônio Reginaldo. O fato aconteceu na fazenda Rio Vermelho, a cerca de 160 quilômetros de Peixoto de Azevedo, região que ainda faz parte do município. Revoltados com a detenção, outro grupo de índios acompanhou o cortejo e invadiu a delegacia da cidade. O flagrante por porte ilegal de arma foi feito ainda na quarta-feira e o delegado Municipal Geraldo Gezoni Filho determinou uma fiança para ser paga. Os indígenas disseram que ficam no prédio e saem apenas com a liberação dos quatro detidos. Cerca de 30 pessoas estão na unidade policial, alguns armados de arco e flecha. Para manter a segurança da delegacia e dos moradores da cidade, várias viaturas da Polícia Militar de cidades vizinhas foram até o local, mas nenhuma ocorrência grave foi registrada até o fechamento desta edição. A prisão aconteceu em uma fazenda que os indígenas da aldeia Pykabarã invadiram há alguns dias. O grupo armado havia expulsado o fazendeiro e os funcionários e tomado conta do lugar. O local não pertence a reserva legal, mas mesmo assim os índios se recusavam a sair, usando armas contra quem tentasse entrar na área. Com isso, uma ordem judicial determinou a reintegração de posse ao proprietário e solicitou o auxílio da PM de Matupá para garantir o cumprimento da ordem. Na delegacia de Peixoto de Azevedo está sendo apurado que o índio Antônio Reginaldo é o mesmo que roubou a caminhonete da Fundação Nacional do Índio (Funai), uma L200, placas NPJ-6731 de Colíder.