CIDADES
Sexta-feira, 27 de Maio de 2011, 20h:22
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DSEI CUIABÁ
Índios esperam receber veículos
ALECY ALVES
Da Reportagem
Retornar às suas aldeias ainda hoje, dirigindo uma caminhonete zero ou em bom estado de conservação, levando um barco novo e um motor de popa potente, de 100 ou mais HPs, é a expectativa dos 110 índios que estão acampados na sede do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), em Cuiabá. Há três dias, os índios das etnias enawenê-nawê, myky e irântxe transformaram o prédio do órgão em uma oca, com redes amarradas em diversos cômodos e dezenas de armas como arcos e flechas espalhadas pelos cantos. Eles estão protestando por melhores condições de transportes para os doentes das três etnias, que moram em reservas entre os municípios de Comodoro, Juína e Sapezal, e precisam navegar por até seis horas em busca de atendimento médico. Representante dos enawenê-nawê, Lolahete explicou que a unidade de saúde fica na cidade de Brasnorte, com acesso apenas por água. O barco destinado aos pacientes, disse, estragou e não tem mais conserto, assim como o motor. Lolahete, que é agente de saúde em sua comunidade, contou que há quatro meses os índios deixaram de desenvolver outras atividades porque tiveram de emprestar o barco para a equipe de saúde. A caminhonete reivindicada, informou, também servirá aos doentes e índios em consulta médica. A gente segue da aldeia pelo rio, viaja de seis a oito horas, quando desembarca perto da cidade precisa de um carro para levar o paciente até o centro de saúde, reforçou. Nessa região, observou, só enawenê-nawê são 700 índios, além de centenas das outras duas etnias. Os indígenas disseram que ontem à tarde tiveram a confirmação do atendimento de suas principais reivindicações, e que o carro e o barco equipado com motor poderiam chegar durante a madrugada, encerrando a mobilização de protesto. Se houver qualquer imprevisto, ou seja, se não receberem esses veículos ainda hoje, permanecem em Cuiabá, acampados na sede do Dsei, pressionando os dirigentes da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). A reportagem do Diário tentou fazer contato com a coordenação do Dsei na tentativa de confirmar o entendimento entre os índios e os órgãos oficiais. A orientação foi para que fizesse contato com a Secretaria em Brasília, mas como já era final de tarde, ninguém atendeu ao telefone.