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CIDADES
Segunda-feira, 07 de Junho de 2004, 21h:13

ARAGUAIA

Índios bororos protestam contra proibição do artesanato

FRANCIS AMORIM
Da Sucursal de Barra
A proibição do comércio de artesanato com partes de animais silvestres pela Polícia Federal (PF) poderá levar os índios da etnia bororo a realizar no Palácio do Planalto, em Brasília, uma manifestação de protesto contra a decisão. A ameaça foi feita na manhã de ontem, em Barra do Garças, pelo líder indígena Agnaldo Komaekureu, da aldeia Meruri. Nesta segunda-feira, o indígena esteve na delegacia da Polícia Federal para verificar a extensão da medida. Ele falou que caso seja necessário, uma comissão irá até Brasília para cobrar providências do governo federal. Segundo o líder bororo, a decisão fere os costumes, as tradições e a cultura de seu povo, que sempre viveu do artesanato. “A medida prejudica todos os bororos”, disse o líder, criticando a política do governo para os povos indígenas. “O presidente Lula nada fez até agora pelos índios, a não ser medidas como essa. Se preciso vamos lutar para que possamos manter nossa cultura”, disse. Agnaldo afirma que os índios não matam animais indiscriminadamente, mas para a subsistência e aproveitamento de partes para a confecção de artesanato. A proibição do comércio de artesanato indígena com partes de animais foi tomada depois que a Polícia Federal desarticulou, no mês passado, uma quadrilha responsável pelo contrabando dos artigos para o exterior. A operação “Pindoroma”, que resultou na prisão de duas pessoas no Vale do Araguaia, descobriu que donos de lojas especializadas integravam o esquema. Os comerciantes compravam os produtos artesanais com partes de animais, como penas, plumas, garras, dentes de onça, peles e chifres, por preços que variavam entre R$ 2 a R$ 8 e vendiam para a Europa por até R$ 500 a peça. As casas de artesanato eram usadas apenas como pano de fundo para o comércio ilegal, que tirava do país centenas de produtos indígenas. Para o delegado Jorge Valdo da Silva, da Delegacia da Polícia Federal, em Barra do Garças, o contrabando já ficou comprovado. “A decisão evita justamente o comércio externo. A única saída encontrada pelo governo foi proibir a matança de animais para esse fim”, disse o delegado.

Edição EDIÇÃO 16963




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