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CIDADES
Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012, 09h:26

CÂNCER DE PULMÃO

Inca alerta sobre risco do naguilé

STÉFANIE MEDEIROS
Da Reportagem
Mais de 300 mil pessoas usam o cachimbo oriental narguilé para o consumo de nicotina e tabaco. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foram divulgados na “Pesquisa Especial sobre o Tabagismo”, publicada em 2008. Dentre os usuários, a maioria é adolescente ou jovem. No Dia Nacional de Combate ao Fumo, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) aproveitou para alertar dos riscos que o narguilé oferece a saúde de seus consumidores. Geralmente usado em situações sociais, ele usa a água para “filtrar” a fumaça. No entanto, o pneumologista Clóvis Botelho explicou que a água não exerce a função de filtro, como muitos pensam. “Isso é uma desculpa que inventaram para justificar o uso. A água serve apenas para refrigerar a fumaça, mas não a filtra de maneira alguma”. Segundo Botelho, os prejuízos do narguilé ultrapassam os causados pelo cigarro comum. Botelho afirmou que uma sessão de uma hora com o cachimbo ornamental equivale ao consumo de 100 cigarros. A fumaça que ele emite é também mais concentrada de monóxido e dióxido de carbono, nicotina, ferros pesados e outras substâncias. “Todos acham que estão fazendo algo cultural, folclórico e bonito, mas ignoram os danos que ele causa à saúde”. Há várias técnicas para quem deseja parar de fumar, mas Botelho ressaltou que a principal delas é força de vontade. Os remédios servem apenas como suporte, mas de nada adiantam se a pessoa não estiver empenhada em superar o vício. Dentre as doenças causadas ou facilitadas pelo tabagismo, estão: a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), vários tipos de câncer e doenças cardiovasculares. O estudante Gabriel Garon, 18 anos, contou que começou a usar o narguilé aos 13 anos de idade. Em uma festa de um amigo de seu pai, ele experimentou o cachimbo pela primeira vez. Ele explicou que já leu bastante sobre o assunto, mas acha que as pessoas exageram muito ao falar do uso do narguilé. Alguns de seus colegas usam bebidas alcoólicas ao invés de água, e queimam maconha, não alcatrão. “Mas são casos isolados, nem todo mundo faz isso”. Quando questionado se pretende interromper o consumo, Gabriel afirmou que não vê tal necessidade, pois o narguilé proporciona momentos de interação social com os amigos e é algo que ele e a família apreciam.

Edição EDIÇÃO 16960




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