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CIDADES
Sábado, 04 de Dezembro de 2010, 13h:15

CENTRO HISTÓRICO

Impasse sobre casarão

Em ruínas na Joaquim Murtinho, imóvel histórico é alvo de disputa judicial. SEC diz ser patrimônio

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Há pelo menos quatro anos, um casarão que fica na rua Joaquim Murtinho, abaixo dos fundos do Palácio da Instrução e da Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus (Igreja Matriz), no Centro de Cuiabá, está abandonado e em ruínas. A dona do imóvel, vizinho à loja de cosméticos Bella Mulher, queria derrubá-lo, mas teve que suspender a obra por conta de ação na Justiça. Sem proteção contra chuva, o que ainda resta da casa pode cair a qualquer momento. Em 2006, a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) solicitou o tombamento da casa pelo Patrimônio Histórico e Artístico Estadual, conforme Lei 3.774 de 20 de setembro de 1.976. Em seu site, a SEC informa que o espaço é datado do final do século XIX, sendo a fachada, a única parede que ainda resta, construída em estilo neoclássico com tendência portuguesa e espanhola. Lá morou o desembargador Alírio de Figueiredo. Por possuir um padrão comum ao tradicional casario cuiabano e aos estilos trazidos pelos imigrantes europeus naquela época, a Secretaria de Cultura solicitou a proteção do patrimônio. “Na realidade, apenas a fachada do imóvel foi tombada”, afirmou a gerente de Tombamento do órgão estadual, Maria José Couto Valle. Uma das características da casa era o telhado em duas águas, assim como eram construídos os casarões cuiabanos. Conforme a SEC, no fim do século XIX, “após o término da Guerra do Paraguai, bem como com a chegada dos imigrantes europeus, especialmente os italianos e espanhóis, aplicava-se em Cuiabá, por influência dos mesmos, a técnica de coletar as águas pluviais dos telhados, por meio do antigo sistema português de paredes socadas e também do madeiramento roliço utilizado na estrutura do telhado, cuja cobertura é confeccionada em telhas de cerâmica, tipo canal”. Maria José lembra que o centenário casario abrigou a família do desembargador Palmiro Pimenta e foi lá que nasceu o seu filho, o jurista Renato Pimenta. “A fachada foi tombada. Só que a proprietária da casa tinha autorização para derrubar e construir. A partir daí, a questão foi parar na Justiça. Estamos aguardando uma decisão”, disse. Maria José informou que a SEC manteve contato com a proprietária do imóvel, Edite Bechtel. “Já estivemos conversando com a proprietária algum tempo atrás e ela se comprometeu em fazer uma réplica da fachada (caso a Justiça dê ganho de causa a ela)”, afirmou. Dona do Hotel Samara, que também fica na Joaquim Murtinho, Edite Bechtel, disse que, apesar do tombamento, não há mais nada de original na fachada do imóvel. “Antes de comprar, fui até ao IPHAN (Instituto Nacional do Patrimônio Histórico) e obtive uma declaração de que a casa não era tombada. Ela sequer fica dentro do Centro Histórico de Cuiabá”, comentou. “Tenho até um alvará de licença (da prefeitura) para demolição da casa”, acrescentou. Edite Bechtel afirmou ainda que o tombamento ocorreu pouco depois que ela comprou o imóvel com o objetivo de construir no lugar um estacionamento para os clientes do seu hotel. “Aqui no Centro da cidade faltam vagas para estacionar. É uma situação muito difícil”. Enquanto não há uma decisão judicial, a casa em ruína chama a atenção de quem passa pela Joaquim Murtinho. “Deixa a cidade com um aspecto de abandono. Não sei se ela tem história, mas deveriam reformar ou derrubar de uma vez”, falou o auxiliar administrativo, Mário Gonçalves, 27 anos.

Edição EDIÇÃO 16962




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