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CIDADES
Sábado, 06 de Abril de 2013, 13h:35

CUIABÁ 294 ANOS

Igreja está presente desde a fundação

Catolicismo deixou traços marcantes na cultura cuiabana e sua influência pode ser vista na educação, política e artes

HELSON FRANÇA
Da Reportagem
Ao longo de seus 294 anos, que serão completados nesta segunda (8), a cidade de Cuiabá teve em sua formação e desenvolvimento bastante influência da Igreja Católica, traço que se mantém vivo nos dias atuais. As festas de santos e procissões, a educação salesiana e os hábitos de autoridades em frequentar a missa aos domingos ou em datas comemorativas, são alguns exemplos. A presença católica na cidade remete desde a assinatura da ata da fundação de Cuiabá em 1719, pelo bandeirante Pascoal Moreira Cabral, no local conhecido como Forquilha, às margens do Coxipó. O documento era uma forma de garantir os direitos pela descoberta da grande quantidade de ouro. Nas proximidades dos locais de exploração aurífera, igrejas eram erigidas de modo a tornar as áreas “sagradas”. Com isso, os sacerdotes também mantinham a proximidade e o respeito com as classes hegemônicas, tendo notável influência na sociedade, de ordem política e intelectual. Dom Francisco de Aquino Corrêa, primeiro arcebispo de Cuiabá, além de ter sido governador do Estado, foi também um dos principais incentivadores à fundação da Academia Mato-grossense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso. “Por mais que outras religiões tenham aumentado ao longo dos anos, a elite cuiabana, ainda hoje, é atrelada ao catolicismo”, observa a doutora em História de Mato Grosso, Thereza Martha Borges Presotti, que leciona na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). No período colonial, na capitania de Mato Grosso e Cuiabá, de modo especial, a igreja católica deu o suporte necessário para a estruturação das povoações e, indiretamente, na configuração do espaço territorial da fronteira; sobretudo, na organização e na busca de equilíbrio de uma sociedade colonial mineradora, com a implantação de suas normas e de seus valores morais. A educação salesiana desponta como um dos principais exemplos dessa força. Os colégios São Gonçalo, Coração de Jesus, Dom Bosco e Centro Educacional Maria Auxiliadora (Cema) ainda hoje estão entre aqueles considerados de maior tradição na capital mato-grossense. Em Cuiabá, a primeira igreja erguida foi a capela dedicada ao Senhor Bom Jesus, no ano de 1722. Foi levantada uma capela de pau-a-pique coberta de palha no local que, mais tarde, tornou-se o centro da Vila Real, longe do lugar das minas, por iniciativa do Capitão-mor Jacinto Barbosa Lopes. Com o passar dos anos, as igrejas em Cuiabá foram se tornando espaços segmentados. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário (São Benedito), por exemplo, era um lugar referencial para a comunidade negra. Apesar de que, fora a identificação com santos negros, ao contrário do que se imagina, nas “igrejas negras”, os grupos de escravos buscavam constantemente o mesmo ideal do grupo senhorial. Longe de expressar sinais da cultura africana, seguiam o mesmo programa das “igrejas brancas”. A igreja Matriz da Vila Real, dedicada ao Senhor Bom Jesus, foi erguida no local que passou a ser o centro do povoado. Esta igreja foi o território branco dedicado ao Sagrado. Nela se abrigavam as irmandades dos brancos e era frequentada pela elite cuiabana. Atualmente, os casamentos das famílias abastadas de Cuiabá, a exemplo do passado, também costumam ser sacramentados na referida igreja. “A igreja católica, porém, sempre esteve de braços abertos para todos, independente de cor, sexo, ou classe social”, pontuou o arcebispo de Cuiabá, dom Milton Santos, autoridade máxima da igreja no Estado.

Edição EDIÇÃO 16963




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