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CIDADES
Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010, 10h:50

BOA MORTE

Igreja bicentenária é reinaugurada

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
No ano em que completa o seu bicentenário, a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, localizada na rua Cândido Mariano, esquina com a Batista das Neves, centro de Cuiabá, reabre as portas hoje, após ter ficado cerca de seis meses fechada para obras de conservação de sua estrutura física, troca do reboco e reforma das partes elétrica e hidráulica. “A igreja voltou a ficar em condições de uso”, afirmou o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), Cláudio Conte. O investimento foi de R$ 200 mil, recursos do orçamento do órgão federal, ligado ao Ministério da Cultura. Em 2006, todo o telhado do antigo templo religioso também foi trocado por aproximadamente 11 mil telhas coloniais. Os recursos eram do governo do Estado. “Ela teve uma série de reformas, mas manteve as características principais preservadas”, frisou. De acordo com Conte, o prédio da Boa Morte é de 1810. Toda em terra crua (taipa de pilão), adobe (tijolo de barro) e pau a pique, ou seja, feita com madeiras entrecruzadas com argila, foi construída por uma irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, formada por mestiços e escravos libertos. “Ela tinha uma torre do lado esquerdo que desabou, após uma tempestade, em 1898”, contou. Em cima da torre, informou Conte, havia a estrutura de um galo, feito em metal, que está guardado até hoje. Quem visita a igreja também pode apreciar a sua característica neoclássica e observar no altar-mor a imagem em roca (cabeça, pés e mãos esculpidos e o restante em armação de madeira) de Nossa Senhora da Boa Morte e, mais acima, de Nossa Senhora da Glória. O altar principal é datado de 1862. Além disso, conforme o próprio convite de reinauguração informa, faz parte de seu acervo uma tela de óleo de Nossa Senhora do Carmo, datada de 1885, pintada por José Maria Hidalgo, espanhol que viveu em Cuiabá no fim do século XIX. Além de tombada em nível estadual, a igreja está inserida na área de entorno do tombamento do Centro Histórico da Capital pelo Iphan. Claudio Conte lembrou ainda que durante os trabalhos de conservação da igreja surgiram algumas surpresas da época de construção do prédio, há 200 anos. Na nave da igreja havia um lambri de madeira, que, ao ser retirado, foram descobertas duas pinturas, uma imitando painéis de madeira e, mais abaixo, outra similar, em mármore. Ambas mostram figuras em losangos. “Num segundo momento vamos fazer a recuperação dessas pinturas”, informou. Missas, a partir de março.

Edição EDIÇÃO 16960




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