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CIDADES
Sábado, 16 de Outubro de 2010, 12h:06

INFECÇÃO HOSPITALAR

Hospital terá de indenizar vítima de MCR

Micobactéria acometeu ao menos 50 pessoas submetidas a cirurgias entre 2006 e 2008 na Capital e se tornou um problema de saúde pública

ALECY ALVES
Da Reportagem
Saiu a primeira sentença indenizatória para vítima de infecção hospitalar por micobactérias de crescimento rápido (MCR). Em Mato Grosso, entre 2006 e 2008, mais de 50 pessoas foram contaminadas durante cirurgias por vídeo, especialmente de vesícula, implantação de silicone na mama e lipoescultura, realizadas em hospitais de Cuiabá e algumas cidades do interior. Dezenas delas ingressaram com ação judicial. O assunto foi tema de uma série de matérias do Diário. A pequena empresária Vera Lúcia de Paula Correa Porto, moradora do bairro Lixeira, que contraiu a bactéria durante cirurgia para retirada da vesícula feita em maio de 2006, receberá R$ 60 mil de indenização, sendo R$ 50 mil por dano moral e R$ 10 mil por dano estético. A juíza que proferiu a sentença, Helena Maria Bezerra Ramos, da 14ª Vara Civil, condenou o hospital onde Vera foi operada, o Jardim Cuiabá, também ao custeio de despesas com outras cirurgias. Conforme a decisão, o hospital Jardim Cuiabá terá de ressarci-la ainda por intervenções cirúrgicas feitas desde que ela contraiu a bactéria. E cobrir os gastos com novas operações, incluindo estéticas, para reconstituição do abdômen, deformado pelas infecções desenvolvidas em decorrência da MCR. Vera Lúcia disse que levando em conta o que sofreu e ainda vivencia por causa da infecção, poderia considerar o valor baixo. “O hospital não deu importância, me ignorou quando procurei seus diretores”, reclamou. Ela contou que além de emagrecer 20 quilos e passar por inúmeras internações, por um longo período, ficou afastada do trabalho. A doença a impedia até mesmo de atender as filhas, na época de 5 e 6 anos, em necessidades básicas como o preparo da alimentação. Entretanto, ao avaliar suas condições atuais de saúde, hoje praticamente recuperada, Vera acha que valeu a pena ingressar na Justiça. “Estou viva, o que é mais importante”, completou. Já o direito de fazer cirurgia reparadora ela avaliou como de “extremamente importância”. A empresária destacou que vai buscar tudo o que tiver direito. “O que aconteceu comigo não desejo a ninguém”, finalizou. Outras vítimas aguardam decisões judiciais. Só a advogada Vanessa de Oliveira Novais Carvalho representa nove pessoas que, a exemplo de Vera Lúcia, contraíram a micobactéria e hoje apresentam sequelas graves. O advogado de Vera Lúcia, Clovis Cardoso, disse que está analisando a sentença em conjunto com sua cliente. Ele não descarta a possibilidade de ingressar com recursos solicitando a elevação do valor.

Edição EDIÇÃO 16962




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