CIDADES
Sexta-feira, 08 de Outubro de 2010, 20h:35
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PISTOLAGEM
Hércules pega 27 anos por assassinatos
Irmãos Araújo, de Rondonópolis, foram mortos por disputa de terra na região. Pistoleiro, acusado e condenado por outros homicídios, cometeu crimes
A Justiça condenou a 27 anos e 11 meses de prisão o ex-policial e pistoleiro Hércules Araújo Agostinho por formação de quadrilha e pelo assassinato de Brandão Araújo Filho e José Carlos Machado Araújo em agosto de 1999 e dezembro de 2000. O julgamento no tribunal do júri, em Rondonópolis, foi na última quinta-feira e durou mais de 15 horas. Ele, que antes assumira ter matado os dois irmãos, negou tudo. Ele já cumpre pena no presídio federal de Rondônia e veio para Mato Grosso só para o julgamento, que foi postergado por dez anos. Hércules é acusado de ser um dos que prestavam serviços de pistolagem para o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro. Ele já fora condenado antes pela morte do empresário Sávio Brandão e sua pena já ultrapassava os 117 anos de prisão antes da condenação desta quinta-feira. Entretanto, seu advogado Jorge Godoy explica que a pena de 27 anos poderia ter sido ainda maior, de 45, caso ele não tivesse sido beneficiado pelo programa de delação premiada. Hércules foi denunciado pelo Ministério Público como um dos que arquitetaram as mortes de Brandão Araújo Filho e José Carlos Machado Araújo, o Zezeca. Os processos foram desmembrados para ele, o também acusado de pistolagem Célio Alves de Souza, o advogado Ildo Roque Guareschi, a empresário Mônica Marchett e seu pai Sérgio Marchett (ambos teriam sido os mandantes do crime) e o policial militar Marcos Divino Teixeira. A morte dos irmãos Araújo fora motivada por uma disputa judicial sobre uma propriedade rural que Zezeca tinha negociado com Sérgio Marchett, também proprietário rural, que pela proximidade com João Arcanjo teve acesso aos serviços de Hércules e Célio. A mando de Marchett, Hércules e Célio Alves de Souza arquitetaram as mortes de Zezeca e seu irmão. Como pagamento, a filha de Marchett, Mônica, havia transferido um veículo Gol branco de seu nome para o de Célio. Os documentos referentes à transação configuram as principais provas contra Mônica e seu pai. Para o advogado Gustavo Medeiros Araújo, que atuou no julgamento como assistente de acusação e é neto de Zezeca, o resultado do júri foi dentro das expectativas. Entretanto, a família esperava uma pena maior. De qualquer maneira, Araújo informou que a família ainda se reunirá com a Promotoria para decidir se apelará pelo aumento da pena imputada a Hércules. É basicamente a posição da defesa do condenado, representada por Godoy. Ele tem o prazo de cinco dias para analisar a possibilidade de um recurso que reduza a pena.