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CIDADES
Sexta-feira, 05 de Setembro de 2008, 20h:21

SAÚDE PÚBLICA

Hemofílicos estão sem remédio vital em MT

Fator VIII, remédio utilizado para garantir a coagulação sangüínea dos portadores, está em falta no país inteiro. Duzentas pessoas fazem uso no Estado

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
O medicamento Fator VIII, utilizado por 80% dos hemofílicos, está em falta no Sistema Único de Saúde (SUS) de Mato Grosso. Importado pelo Ministério da Saúde e repassado para os estados, o medicamento realiza a coagulação no organismo do paciente, sendo tão vital para o hemofílico quanto à insulina para o diabético. A Federação Brasileira de Hemofilia (FBH) diz que depende inteiramente do SUS e que não pode agüentar a situação. O Fator VIII é um hemoderivado comumente administrado nas veias pelos próprios pacientes. Em Mato Grosso, cerca de 200 portadores de hemofilia são cadastrados no Hemocentro. Como 60% deles residem em municípios do interior, o repasse de medicamentos fica reduzido. Wanderson Gonçalves Pereira, morador de Juína (735 quilômetros a noroeste de Cuiabá), não tem acesso à proteína Fator VIII há um mês. Ele conta que possui duas feridas no corpo, uma no cotovelo direito e outra no joelho esquerdo. Sem o medicamento, o organismo de Wanderson não é capaz de coagular o sangue das feridas. Assim, há um mês o estudante de 19 anos não sai de casa e sofre com sangramentos que não estancam. “Se continuar assim, vou ter que largar o estudo”, lamenta. Ele diz que busca os remédios no hospital do município, mas que a indisponibilidade tem comprometido o trabalho dos médicos. Sylvia Thomas, presidente da FHB e médica do Hemocentro de Cuiabá, revela que o Brasil possui orçamento para a compra de quantidade suficiente dos medicamentos para suprir a demanda nacional. Porém, a burocracia das leis impede a agilidade nos processos de importação. No Brasil, existem 8.600 pacientes hemofílicos cadastrados no Ministério da Saúde. A maioria dos pacientes é de crianças e adultos jovens, que demandam cerca de 240 milhões de unidades do medicamento por ano. Em nota divulgada à imprensa na tarde de ontem, o Ministério da Saúde justifica suas falhas de abastecimento com o mercado internacional do medicamento. Apenas três laboratórios multinacionais produzem o Fator VIII no mundo, o que obriga o Brasil e os demais países a negociarem preços altos, favorecidos pelas leis da oferta e da procura mundialmente. Segundo o Ministério e a FBH, atualmente há grande procura pelo Fator VIII no mercado internacional, fato que os fabricantes aproveitam para elevar os preços. Em agosto, o Ministério anuncia terem sido distribuídos 18 milhões de unidades do Fator VIII para os estados e o Distrito Federal, quantidade considerada suficiente para a demanda dos pacientes. Em setembro, haverá a remessa de 20 milhões e a estimativa para outubro é de que 22 milhões de unidades do Fator VIII sejam distribuídas. A FBH orienta os médicos que tratam a hemofilia nos estados para se organizarem de modo a pressionar o Ministério da Saúde e promover a compra de medicamentos para estoque de dois ou três anos. O Ministério prevê que encerrará 2008 com 266 milhões de unidades, cerca de 10% a mais do que o suficiente para as necessidades no setor.

Edição EDIÇÃO 16962




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